O São Francisco é mineiro

Opinião / 28/07/2020 - 06h00

Aristóteles Drummond*

O Rio São Francisco, que faz parte de nossa história, é mineiro. É também o “rio de integração nacional”, produz energia elétrica de qualidade e baixo custo, irriga o eldorado, que é o Projeto Nilo Coelho, em Pernambuco, potente centro da fruticultura nacional, com produtos presentes em todo mundo, especialmente os três Ms (melão, mamão e manga), uvas e agora até pêras, convertido com a transposição na redenção do Nordeste seco.

O Brasil e os mineiros têm de se lembrar de que o rio nasce em Minas, na serra da Canastra, e que logo seu primeiro aproveitamento hidroelétrico, em Três Marias, tem sua área irrigada, Projeto Guaíba, que precisa de recursos para se equiparar aos polos pernambucanos e baianos. A navegabilidade, fundamental para o desenvolvimento econômico, praticamente acabou. Minas tem dezenas de municípios a menos de 40 quilômetros das margens do São Francisco na seca, no subdesenvolvimento mais cruel. Uma afronta à dignidade dos mineiros. 

Urge uma mobilização de toda a sociedade, a ser convocada pelo governador Romeu Zema, no sentido de se provocar medidas públicas e estímulos ao setor privado, para reparar a imensa dívida que a Nação tem com o Norte de Minas. JK, muito por influência de José Maria Alkmin, incluiu o Norte de Minas na zona da Sudene, o que permitiu, nos anos 1960 e 1970, um certo arranque de desenvolvimento industrial, tendo base na capital do Norte, Montes Claros. A visão do abandono do que foram indústrias também sugere uma reação, que, na situação difícil que o Brasil atravessa, requer imaginação, vontade política e competência.

A União poderia estimular a construção de parques solares na ensolarada região para a venda de energia a preço atrativo, com vistas ao aproveitamento de seus recursos minerais. No Alto São Francisco, há um complexo metalúrgico de qualidade, no aproveitamento do silício, magnésio e metais leves, em mais de um município. Pela importância conquistada pelas indústrias ali instaladas, na qualidade e competitividade, um olhar atento poderia dobrar o potencial gerador de empregos e renda na região. A maior delas, a Rima, exporta para dezenas de países.

A própria sobrevivência do rio depende de Minas, onde já são preocupantes os dados levantados. Uma irresponsabilidade o que os governos petistas fizeram com um fator tão importante na vida econômica e social do Brasil. Não se brinca com tantos milhões de brasileiros.

A primeira e séria cobrança deve ser os recursos prometidos por Lula, quando do projeto da transposição destinado à recuperação ambiental da zona das nascentes do rio, do combate ao assoreamento. Pouco ou nada foi feito até agora. Esta é uma pauta que deve tocar a alma mineira. E é urgente !!! 

*Escritor e Jornalista

 

 

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