O uso indiscriminado de antibióticos. De quem é a culpa?

Opinião / 15/05/2019 - 15h57

O uso indiscriminado de medicamentos, sobretudo antibióticos, aumenta de forma considerável o risco de casos de resistência bacteriana, essa atitude é, de certa forma, um problema cultural, já que o profissional da saúde não orienta corretamente os pacientes, e estes, por sua vez fazem uso indevido dos antibióticos. 

A resistência de bactérias a antibióticos e outras drogas antimicrobianas é um processo natural e de pressão seletiva, porém, baseado em seu uso indiscriminado e recorrente, transformou-se em um problema de saúde pública. Pois eles são utilizados sem qualquer intervenção, o que provoca a seleção natural dos microrganismos mais aptos. O uso indiscriminado de antibióticos sem uma avaliação cuidadosa das suas indicações corretas pode gerar o crescimento de cepas resistentes, o que significa ocasionar uma mutação seletiva.

A automedicação é definida como o uso de medicamentos sem prescrição médica, onde o próprio paciente escolhe qual medicamento utilizar. Inclui-se nessa definição a prescrição ou indicação de fármacos por pessoas não designadas para esse fim. Pode-se citar, como exemplos, amigos, familiares e até mesmo balconistas de farmácia. 

A automedicação com antibióticos pode ser resultado também de prescrições médicas anteriores, em especial para doenças do trato respiratório, que são mundialmente os maiores causadores do uso irracional de antibióticos, o que mostra que os médicos também dividem a responsabilidade com os pacientes para tal conduta: seja encorajando os pacientes a fazerem uso de antibióticos ou tentando evitar gastos com análise de laboratório, tentam acertar uma infecção bacteriana suspeita, tratando-a de maneira a conseguir uma recuperação supostamente rápida, ou garantindo aos clientes que eles estão recebendo medicamento com potências altas.

O uso racional desses produtos é imperativo, caso queiramos mantê-los disponíveis em longo prazo. Esse uso racional deve ser baseado no conhecimento de cada princípio ativo, suas indicações e a dosagem correta necessária para obter um resultado satisfatório. Diagnóstico preciso e testes de susceptibilidade/resistência devem compor a base para tratamentos corretamente administrados. Programas de monitoramento de resistência a antimicrobianos devem, obrigatoriamente, ser implementados para determinar o que está ocorrendo na sociedade.

Com o aumento da preocupação dos profissionais de saúde, a tendência é a reversão do quadro atual. Pois esses profissionais levam em consideração, mesmo com a dispensação correta, o uso incorreto de medicamentos por parte dos consumidores, estes não tendo noção dos malefícios que essas drogas causam, em particular os antibióticos.

O dever do profissional de saúde é atuar juntamente com toda a equipe, fornecendo subsídios para fomentar a melhor escolha dos antibióticos, transmitir a todo e qualquer cidadão seu conhecimento sobre o uso correto de antibióticos, multiplicando informações para evitar sua utilização sem indicação médica.

AUTORES: 
(1) Profa. Me. Letícia Martins Barros Ramos. Mestre em Administração, Docente dos cursos de graduação em Enfermagem, Nutrição e Psicologia das Faculdades Promove/Kennedy
(2) Professor Dr. Celso Vieira de Lima. Mestre em Ciências Biológicas e Doutor em Ciências Técnicas Nucleares pela Universidade Federal de Minas. Docente do Curso de Graduação em Nutrição da Faculdade Kennedy 
(3) Professor Dr. Tadeu Henrique de Lima. Mestre e Doutor em Biomateriais pela Universidade Federal de Minas Gerais. Docente dos cursos de graduação em Enfermagem, Nutrição e Estética e do Curso de Mestrado em Tecnologias Aplicadas à Saúde das Faculdades Promove/Kennedy
(4) Prof. Dr. Yaro Lucíolo dos Santos. Mestre em Microbiologia, Doutor em Bioquímica e pós-doutor em Biologia Celular e Estrutural. Docente do Curso de Graduação em Nutrição e Enfermagem da Faculdade Kennedy 

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