Obesidade infantil e família

Opinião / 08/12/2016 - 06h00

Renata Corrêa Carvalho*

A infância é um tempo muito importante na constituição de um sujeito, seja em seus aspectos físicos e psíquicos, na formação de hábitos e da estrutura cognitiva. A criança está aberta ao aprendizado, inicialmente reproduzindo comportamentos para depois agir pelos próprios desejos. Mais tarde percebemos que o que lhe foi transmitido e o que conseguiu capturar do outro é base fundamental para suas escolhas. Isso não é diferente no que se refere à alimentação.

A obesidade infantil está relacionada a diversos fatores. O que chamamos de hábito alimentar refere-se aos costumes da família em relação ao alimento. Mas, existem outras relações com o alimento que são subjetivas e que estão intimamente ligadas ao afeto que a criança passa a estabelecer com o alimento, e isso envolve a participação dos pais.

Desde a amamentação, o ato de se alimentar está muito atrelado à figura materna e ao amor, ao prazer, ao envolvimento afetivo. Isso se estende pela infância, e a criança entende que o que é oferecido por aqueles que o amam é bom. 

O que acontece é que esses pais trazem consigo suas próprias questões subjetivas, e com certeza isso atravessa a relação com seus filhos. Nos quadros de obesidade infantil, é possível perceber o quanto a estrutura familiar encontra-se fragilizada em controlar a obesidade, seja por considerarem que tem pouco tempo para administrar melhor a alimentação, seja pela dificuldade em assumir mudanças importantes, ou ainda pela atitude de recompensa pela comida que muitos pais assumem para amenizar sua ausência.

Na alimentação infantil, a palavra “não” ainda é compreendida com conotação negativa. Mas, ao contrário, dizer não a uma criança para comida é muitas vezes ensiná-la a compreender os limites da saciedade. 

Mas, para que isso aconteça é preciso, antes, que o adulto consiga estabelecer esses limites para si mesmo. Aos pais, é indicado que reflitam sobre a importância fundamental que têm na educação alimentar de seus filhos, revejam atitudes e assumam que a mudança é necessária. 

(*) Psicóloga do Instituto Mineiro de Obesidade e Cirurgia (IMOC)
 

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