Obesidade: problema de saúde pública

Opinião / 08/03/2021 - 06h00

Rodrigo Lamounier*

A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta a obesidade como um dos maiores problemas de saúde pública no mundo. No Brasil, a situação não é diferente. Além de ser um fator de risco para várias doenças, como a Covid-19, ela é considerada a 2ª causa de morte evitável, perdendo apenas para o tabagismo. O excesso de peso também é outra preocupação. Conforme a última pesquisa Vigitel (2019), do Ministério da Saúde, publicada no ano passado, 55,4% estão acima do peso e 20,3% são considerados obesos. 

Na capital mineira, 52,5% das pessoas estão com excesso de peso e 19,9% sofrem com a obesidade. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) iniciou, no Dia Mundial da Obesidade (4/3), a campanha “Cuidar de todas as formas”, com várias ações durante o mês de março para alertar sobre esses índices preocupantes e os cuidados necessários para evitar o sobrepeso e a obesidade.

Em relação ao gênero, o maior índice de excesso de peso está entre os homens, alcançando 57,1% e, entre as mulheres, o percentual é de 53,9%. Em Belo Horizonte, eles mantêm os 57,1% e 48,6% delas estão acima do peso. Já, quando o assunto é obesidade, as brasileiras preocupam mais (21%), ante os homens (19,5%). Em BH, os homens são mais obesos que elas: 20,7% e 19,2%, respectivamente.

A preocupação dos especialistas é que esses números aumentem ainda mais, em virtude do isolamento social provocado pela pandemia do novo coronavírus. O sedentarismo e a ingestão dos alimentos ultraprocessados, com elevada densidade energética (ricos em gordura), podem ter contribuído para essa elevação. A pandemia demanda um cuidado redobrado, não só com a higiene, mas também com a alimentação. A manutenção das condições nutricionais em dia com um consumo adequado de alimentos saudáveis e água potável garante o fortalecimento do sistema imunológico para a manutenção e a recuperação da saúde.

À medida que o peso aumenta, podem surgir uma série de doenças crônicas, como hipertensão, diabetes, colesterol alto, doenças cardiovasculares (infarto, derrame), doenças osteoarticulares e apneia do sono, acelerando o processo inflamatório e de envelhecimento, além de comprometer a autoestima e a sociabilização.

A obesidade e o sobrepeso são tratados com reeducação alimentar (ingerindo menos calorias) e gastando mais energia com a atividade física regular tanto programada, quando a pessoa reserva um horário do dia para a prática de exercícios físicos, quanto não programada, como o número de passos diários, caminhadas ou subir escadas, por exemplo. As terapias psicológicas, comportamentais ou em grupo são aliadas importantes no tratamento, além de contribuir como uma válvula de escape do estresse. As medicações podem entrar como auxiliares terapêuticos, dependendo de cada caso.

É muito importante manter um estilo de vida saudável e que, não só melhore a saúde física, mas proporcione uma autoestima elevada, evitando casos de depressão, por exemplo. A estratégia multidisciplinar em busca de um novo equilíbrio é capaz de mudar a triste realidade de mais da metade dos brasileiros estar acima do peso.

*Presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia - Regional Minas Gerais (SBEM-MG)

 

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