Obesidade: vilã da vida fértil

Opinião / 11/01/2019 - 07h00

Cláudia Navarro *

Vivemos uma época de contrastes nos hábitos de vida. É crescente o número de pessoas que transformam a alimentação, se exercitam regularmente e cortam ou reduzem o consumo de álcool. Dietas low carb, novos tipos de treinos nas academias, procura por alimentos orgânicos; temos a impressão de que vivemos em uma sociedade cada vez preocupada com a saúde e imune aos problemas causados pelo excesso de peso. Entretanto, pesquisas demonstram o contrário.

Dados do Ministério da Saúde mostram que o número de obesos no país quase dobrou em um período de 20 anos, passando de 11,8%, em 2006, para 18,9%, em 2016. De acordo com a pasta, 51% da população brasileira estão acima do peso e, desse total, 54% são homens e 48%, mulheres. O excesso de peso corporal, além de outros riscos para a saúde, compromete as funções hormonais, podendo diminuir as chances de reprodução natural em homens e mulheres.
Nas pessoas do sexo feminino, os ciclos menstruais podem se tornar irregulares, associados à disfunção ovulatória. Mulheres obesas também tendem a apresentar maior chance de aborto e complicações na gravidez. Nos homens, também já está comprovada uma ligação entre a obesidade e a infertilidade.

Caso seja constatado, após avaliações médicas, o problema da infertilidade em razão do excesso de peso, o mais recomendado é que o paciente busque hábitos de vida saudáveis para que seu corpo recupere a capacidade reprodutiva. O peso saudável vai contribuir também para diminuir os riscos de complicações na gestação, como diabetes e hipertensão, causados pelo sobrepeso. Mesmo que haja a necessidade do emprego de técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro, elas devem estar associadas à mudança do estilo de vida e o ideal é que sejam realizadas quando a paciente já tiver o peso normal. O caminho contra o excesso de peso e a infertilidade deve ser de práticas personalizadas e que funcionem no longo prazo. Trocar o elevador pela escada, sempre que possível, e substituir processados por alimentos mais saudáveis pode ser um bom começo.

(*)Ginecologista, especialista em reprodução assistida e diretora clínica da Life Search
 

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