Odontologia: Isolamento Absoluto em tempos de isolamento social

Opinião / 22/03/2021 - 06h00

Thiago Altro*

Isolados... é assim que estamos e é assim que nos sentimos. Mas com a convicção de que essa medida pode salvar vidas.

É sabido que isolamento social se faz necessário devido à incapacidade do sistema de saúde acolher todos os potenciais infectáveis. Por conta da fácil transmissibilidade e a ausência de uma droga específica para esse vírus, medidas que evitam o contato e a circulação de pessoas dificultam a propagação da doença e possibilitam que o sistema de saúde consiga tratar todos os doentes.

As adaptações e as restrições sociais pelas quais estamos sujeitos são muitas nesse período, nos colocamos em atenção e alerta em qualquer situação que nos obriga a sair desse ambiente seguro e familiar.

Espaço esse que, restrito ao convívio dos amigos e familiares distantes, nos trazem a sensação de conforto e segurança, porém a qualquer momento podemos ter necessidade de exposição. E é o que sinto quanto aos pacientes que me procuraram na clínica nos últimos meses.

No dentista não é diferente, e a maioria dos consultórios dentários já se adequou para receber seus pacientes de braços abertos com inúmeras medidas de segurança.

Providências que impactam o paciente desde a recepção e também durante o atendimento na cadeira. Dentre as medidas chamadas clínicas de biossegurança está o procedimento chamado Isolamento Absoluto.

O Isolamento Absoluto consiste no total controle da umidade do dente a ser tratado ou de todos os dentes de um arco dentário que passará por um procedimento restaurador. Isso é: isolar o dente da saliva, missão possível graças à inserção de uma folha de borracha muito fina entre os dentes, que os deixam isolados da saliva, língua e bochecha durante o trabalho do dentista.

Tal procedimento é usado durante a colagem de restaurações de resina ou cerâmica nos dentes e foi considerado, por muito tempo, uma técnica de luxo devido ao aumento do custo operacional, do tempo de consulta e do custo do material propriamente dito. Porém, em 2019, logo no início da pandemia, o pesquisador chinês Xian Peng publicou recomendações para o controle de infecções na pratica clínica, colocando o procedimento Isolamento Absoluto em destaque por diminuir significativamente a produção de aerossóis e gotículas contaminadas de sangue ou saliva nos casos em que o motorzinho do dentista e/ou ultrassom são utilizados.

Ainda, segundo o pesquisador, o Isolamento Absoluto foi responsável pela redução de partículas de aerossóis circulantes em 70% em raio de um metro da cadeira odontológica.

Só por essa eficiência no controle de infecção e contaminação, o procedimento já estaria indicado na maioria das intervenções odontológicas. Ele também traz inúmeros outros benefícios, como:

- Melhor visibilidade do dentista no campo operatório, por deixar o dente exposto e longe das mucosas;

- Perfeito controle de umidade no dente pelo dentista, ideal para colagem de restaurações, lentes de contato dental, próteses de cerâmica, resina ou hibridas - pois não é uma tarefa fácil colar algo que deve ficar fixado por muitos anos, embaixo d’água;

- Impede a deglutição e a aspiração de instrumentos, brocas, chaves e materiais restauradores que acidentalmente podem cair na boca durante um procedimento;

- Impede o paciente de sentir gosto ou odores desagraveis durante a consulta, o que se torna um alívio para pacientes ansiosos e com fobias;

Entre outros benefícios clínicos que facilitam a vida do dentista e melhoram a qualidade do procedimento para o paciente.

*Mestre em Implantodontia, cirurgião dentista, reabilitador oral e sócio da Clínica Odontológica AltroVilela, em Campinas

 

 

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários