Os ajustes que o home office ainda precisa para dar certo

Opinião / 05/07/2021 - 06h00

Pedro Signorelli*

Antes de apontar o que fazer para dar certo, preciso dizer que o principal entrave para o trabalho em home office acontecer da melhor maneira possível é virar a chave. É preciso que o gestor e o colaborador queiram que isso ocorra. Pode parecer surreal, mas o fato é que quando ambos estão próximos, de modo geral, eles se sentem numa zona de conforto. O gestor porque tem seu comandado ao alcance da vista, pode observar suas ações de perto. O colaborador, por sua vez, se sente na desobrigação de pensar, pois tem o tempo todo alguém lhe dizendo o que e como fazer.

Muitos podem pensar que pelo fato de estarmos nessa condição de trabalho há mais de um ano a situação já esteja tranquila. Creio que não, afinal por quanto tempo vivemos num modelo de gestão presencial em que o chefe manda e o subordinado faz?

A situação atual impõe mais que uma mudança física, ela determina uma mudança de postura. Vou elencar cinco tópicos essenciais para o time obter o maior sucesso possível do trabalho em home office:

1. Priorização das atividades - é preciso que o gestor deixe claro quais são as prioridades para aquele momento, para que também o colaborador veja mais sentido nas suas atividades diárias.

2. Discutir com o time o que é mais importante - entendendo o por quê, as pessoas podem discutir e contribuir para a definição das ações; esse alinhamento traz mais engajamento das pessoas e gera um sentido maior de responsabilidade sobre os temas.

3. Clareza de comunicação - o gestor precisa ter certeza de que o time entendeu o que foi comunicado. Quando se está perto, a correção de rota pode ser feita a qualquer momento. No trabalho em home office, o colaborador pode seguir caminho diferente do que foi orientado, simplesmente, por não ter entendido qual seria sua missão. Ele pode perder um dia de trabalho inteiro, ou mais, seguindo no caminho errado, sem perceber. O gestor precisa não só ter clareza no que quer, mas também a certeza de que foi entendido e deixar claro que está à disposição para esclarecimentos durante o percurso.

4. Combine resultados a serem atingidos - sabendo o por quê, tendo participado do processo de construção e tendo clareza do que é prioridade, o time está engajado e, assim, o gestor, em vez de apenas distribuir as tarefas, combina com a equipe os resultados a serem atingidos.

5. Acompanhamento das atividades - ainda que a missão tenha sido comunicada com clareza, ainda que o colaborador tenha entendido exatamente o que precisa fazer e o porquê, é preciso que o gestor acompanhe cada colaborador e o time para apoiá-los no processo de execução. A responsabilidade pela execução foi transferida para o time, para o colaborador, e o líder atua como alguém que tira ou ajuda a tirar os impedimentos para que o trabalho seja executado. Cria-se um clima maior de parceria e, seguramente, uma satisfação maior por parte do colaborador que tem mais autonomia para executar sua função e sabe que, se tem um problema, seu líder está ali para suportá-lo e não para puni-lo.

* Especialista "insider" na implementação de OKR em empresas de diversos tamanhos e segmentos

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