Os impactos da gamificação na próxima geração

Opinião / 15/10/2021 - 06h00

Samir Iásbeck*

Após a chegada da pandemia de Covid-19 pudemos observar diversas mudanças em todos os segmentos e áreas da sociedade, principalmente nas esferas profissionais e educacionais. As formas de trabalhar e estudar com as quais estávamos acostumados passaram por muitas transformações, migrando totalmente para o mundo virtual. Esse cenário fez com que as pessoas tivessem que rapidamente se adaptar a novas ferramentas e a diferentes maneiras de se relacionar umas com as outras, em todos os âmbitos.

E foi então que tanto os gestores e líderes das companhias quanto os professores e tutores das instituições de ensino tiveram que procurar por diferentes estratégias para realizar treinamentos corporativos e também que permitissem que os colaboradores realizassem seus trabalhos mesmo sem estar presencialmente nas empresas, e os alunos continuassem estudando e adquirindo novos conhecimentos ainda que não pudessem frequentar as salas de aula, pelo ensino a distância.

Uma das formas encontradas de não apenas ajudar na adaptação ao digital, mas também motivar e engajar as equipes e os estudantes foi a gamificação, que consiste na aplicação de elementos de jogos, como storytelling, designs chamativos, sistemas de pontuação, recompensas sociais e materiais, feedbacks rápidos e barras de progresso em diversos contextos e atividades diferentes, como, por exemplo, estudo e trabalho.

Essas mecânicas, quando utilizadas da forma correta, podem trazer muitos benefícios para as jornadas de aprendizado e desenvolvimento pessoal e profissional, pois são capazes de aflorar a criatividade, melhorar a capacidade de raciocínio lógico dos usuários, facilitar o aperfeiçoamento de habilidades, incentivar o esforço para cumprir metas, inspirar resiliência e ajudar a criar uma mentalidade de trabalho em equipe e valorização dos ganhos coletivos.

E as novas gerações, principalmente por terem nascido já inseridas no universo tecnológico, como é o caso dos millenials e da geração Z, não tiveram dificuldade em se acostumar com a gamificação e tirar proveito de todas as suas possibilidades. De acordo com a pesquisa Gen Z Expectations, produzida pela Pearson, empresa global de aprendizagem, cerca de 47% dos jovens entre 10 e 23 anos preferem aprender de forma interativa, por meio de aplicativos, Youtube e jogos, enquanto para os millenials esse índice chega a 41%.

Esse cenário acaba por transformar a relação dos jovens com o aprendizado de uma forma muito positiva. Se, antes, o que percebíamos era que a internet e as ferramentas digitais distraiam as pessoas de suas tarefas e estudos, atualmente vemos que, quando associadas a elementos como a gamificação, também podem assumir um papel de auxiliadoras e facilitadoras, permitindo que os conhecimentos sejam absorvidos das mais variadas formas.

A tendência é que essa relação se torne cada vez mais sólida, e com o constante avanço das inovações e buscas por novas plataformas e estratégias podemos esperar um futuro ainda mais conectado e gamificado nos ambientes escolares e profissionais, tornando-os mais instigantes, interessantes e atrativos para as novas gerações.

* CEO e Fundador do Qranio, plataforma mobile de aprendizagem que usa a gamificação para estimular os usuários a se envolverem com conteúdos educacionais em todos os momentos

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