Os três pilares

Opinião / 02/01/2021 - 06h00

Maria Fernanda Menin*
 

Se você ainda não ouviu falar em ESG, está na hora de correr atrás e se informar sobre este tema tão essencial para o nosso cotidiano.
Na tradução para o Português, o acrônimo ESG significa “Ambiental, Social e Governança” e está sendo utilizado para medir o grau de engajamento dos indivíduos e instituições em ações voltadas a preservação do meio ambiente, garantia dos direitos humanos e da ética e exercício da cidadania.

Para o mundo corporativo, a preocupação com sustentabilidade do planeta, relações entre os indivíduos e boas práticas de governança não é coisa recente. Há mais de uma década, estes temas já norteiam decisões de investimentos ou trabalho em empresas públicas ou privadas.

No mercado financeiro e de capitais, por exemplo, o número de fundos e acionistas que querem investir em empresas que colocam o ESG como uma prioridade aumentou significativamente nos últimos anos.

Embora ainda incipiente no Brasil, esta discussão já mobilizou a sociedade de maneira relevante, motivando a criação de métricas e selos que são concedidos, de tempos em tempos, às organizações. São exemplos de métricas o GEE - usado para medir a emissão de gases efeito estufa e o ICO2 - Índice do Carbono Eficiente, dentre outros. Na linha da sustentabilidade social e da governança corporativa, temos o ISE - Índice de Sustentabilidade Empresarial e o Selo Pró Ética, conferido às organizações que possuem as melhores práticas de integridade e combate a corrupção.

Nesse contexto, é imprescindível ressaltar a iniciativa da ONU na sua agenda 2030, que fixou os 17 objetivos de desenvolvimento sustentável que, nos dizeres da própria organização “são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade”. A participação das empresas e sociedade nesta importante iniciativa é evidenciada através da adesão ao chamado “Pacto Global da ONU”.

Os pilares “Ambiental” e “Social” quase falam por si só. Temos visto bons exemplos de ações visando a preservação do meio ambiente no Brasil, como o uso de energia limpa na construção civil, projetos de grande porte para conservação da vida marinha, dentre outros. O mesmo no campo dos direitos humanos, muito embora a caminhada ainda seja longa.

No pilar da “Governança”, vale dizer que a data de 9 de dezembro foi escolhida como o dia internacional de combate à corrupção. A escolha da data se deu pela realização de uma convenção das Nações Unidas contra a corrupção, em 09 de dezembro de 2003, na cidade de Mérida, no México. A ideia central da convenção era fortalecer a cooperação internacional para combater a corrupção global.

Voltando à realidade corporativa, a qualidade da sua “Governança” está intimamente ligada a dois fatores: cultura/ambiente organizacional, assim entendidos como um conjunto de políticas e valores que guiam o comportamento das pessoas e estrutura de fiscalização/monitoramento das boas práticas, onde deve estar inserido o time de Compliance, gozando de plena autonomia e apoiado pelos órgãos da alta administração.

De todo modo, é imprescindível que todos nós, enquanto cidadãos, pratiquemos estes conceitos de maneira ampla, nos planos individual, familiar e de nossa comunidade. É necessário um maior entendimento de nossas responsabilidades, o que somente é possível através de uma educação de qualidade.

A partir daí, surge o engajamento da população, que se dá por meio de participação, por exemplo, na eleição de bons representantes, nas decisões de compras de produtos e/ou serviços, na construção das relações sociais.

Não restam dúvidas de que a transformação e o desenvolvimento da humanidade estão sustentados por estes três pilares.

* Compliance officer e conselheira da MRV

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