Pandemia compromete ciclo menstrual

Opinião / 25/07/2020 - 06h00

Agnaldo Lopes*

 isolamento social alterou a rotina e a vida de todos. As incertezas em relação ao futuro, instabilidade econômica, sonhos adiados e o desconhecimento de um tratamento eficaz para a Covid-19 elevam os níveis de estresse e ansiedade. Muitas mulheres estão sofrendo alteração no ciclo menstrual em decorrência das circunstâncias difíceis com a pandemia. A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) recomenda atenção com qualquer mudança, como sangramento anormal ou dores excessivas.

Uma pesquisa da ginecologista Anita Mitra com 5.677 mulheres no Reino Unido revelou que o ciclo menstrual irregular tem sido comum durante a pandemia. Os momentos de estresse, como episódios de perda, de tristeza ou de tensão, afetam diretamente o ciclo, pois o organismo libera cortisol em excesso, interferindo nos níveis normais de hormônios reprodutivos, levando potencialmente a uma ovulação anormal e, consequentemente, a uma alteração na menstruação, podendo atrasar, adiantar, não vir, ter muito fluxo ou pouco, variando conforme cada caso.

A menstruação é controlada pelo eixo hipotálamo-hipófise-ovário. A secreção de hormônios pode mudar com situações extremas, como estresse, práticas esportivas muito intensas e dietas restritivas. As mudanças hormonais e nos ciclos menstruais causadas pelo estresse são bem documentadas. Um estudo feito pela Universidade de Cambridge com as alunas, em 2017, revelou que 1/3 delas fica sem menstruar por um mês durante o período de provas e em outros momentos de grande ansiedade.

O ciclo menstrual dura, em média, 28 dias e não é incomum elas experimentarem alguma irregularidade, sendo que uma ou duas menstruações um pouco antes ou um pouco depois do normal não são consideradas motivos de preocupação. A recomendação é procurar um médico em caso de mudanças repetidas por um tempo prolongado, com sangramento intenso, ou dores que impeçam os afazeres diários. Já, quem está com atraso no ciclo, não usa contraceptivos e possui uma vida sexual ativa, deve fazer o teste de gravidez. 

Há mudanças no estilo de vida que podem ser executadas para reduzir os níveis de estresse, reequilibrando os hormônios e contribuindo para regular a menstruação. É muito importante a mulher praticar atividade física para o organismo produzir hormônios, como a endorfina, que tem grande potencial de restrição da ansiedade e manutenção do peso. A alimentação mais saudável, evitando os alimentos industrializados, açúcar e gordura, priorizando legumes, verduras e frutas, contribui muito para a saúde hormonal e menstrual. O cuidado com a mente também é essencial, como uma boa leitura, assistir filmes, ouvir música, fazer meditação e dedicar tempo de qualidade à família.

Não se sabe quanto tempo o isolamento social vai durar. Entretanto, uma coisa é certa: com hábitos saudáveis, contribuindo para uma redução do estresse e da ansiedade, o ciclo menstrual tende a se regularizar e a mulher adquire qualidade de vida e energia suficiente para enfrentar a pós-pandemia.

*Presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo)

 

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