Papai Noel mercadológico

Opinião / 19/12/2019 - 06h00

Marco Antonio Costa de Freitas

Fim de ano chegou e com ele chega o Natal. Época de vendas altas no comércio, de shopping centers lotados, de movimento de pessoas, sacolas e listas de presentes. Quem nunca acreditou em Papai Noel na infância? Aquele velhinho simpático, a distribuir brinquedos para crianças no mundo?

Papai Noel foi uma criação a partir de um santo: São Nicolau ou Santa Claus. Não tinha a imagem atual, um velhinho simpático vestido de vermelho, personagem que foi uma criação mercadológica da Coca-Cola. Apareceu nos primórdios do século 20, na América do Norte, sempre com uma garrafa de Coca-Cola nas mãos. A empresa faz carreatas com o “seu” Papai Noel ainda hoje no mundo todo, inclusive, aqui em Belo Horizonte.

Papai Noel é um exemplo da força do uso de um personagem como marca. Outras empresas tiveram enorme sucesso nisso: Ronald McDonald; o frango da Sadia; Mickey; na Disney, o cachorrinho da Cofap; Tony; o tigre da Kellogs, etc. Esses personagens se transformaram na própria marca da empresa, vivendo conosco até hoje. Sendo tremendas forças de mercado, fazem parte da nossa vida, do imaginário coletivo. 

Qualquer empresa, ao criar um personagem que posicione a sua imagem na mente do consumidor, de forma consciente ou inconsciente, se destacará de seus concorrentes e veiculará um sentimento afetivo no coração dos consumidores.

A questão é essa: afetividade! Um recurso que vem se tornando escasso no mundo atual. A globalização trouxe mais disputas e competição entre povos do que disseminou valores elevados. E pessoas estão se desentendendo por religião, política e futebol, cada vez mais, excluindo da vida caridade, generosidade, sentimentos verdadeiramente humanos, convívio afetuoso e fraterno, aquilo que no cristianismo, judaísmo e budismo se chama amor ao próximo.

Papai Noel, acima de ser um personagem desenvolvido pela Coca-Cola, é uma marca que representa a idéia de que a generosidade pode ser compartilhada, por simples humanidade. Se a maioria das crianças passa o Natal na falta até de um brinquedo, a culpa é nossa, humanos egoístas e presos nas emoções de um celular.

Critica-se Papai Noel por ter virado um símbolo do consumo, um fenômeno de marketing que desvirtuou a ideia inicial do pensamento cristão do Natal. Porém, todo personagem de marketing traz uma ideia que fica nas pessoas. Para mim, ele é a ideia de uma bondade que distribui brinquedos para crianças, sem nada pedir em troca. Ele é a ideia de que o mundo precisa, mercadologicamente, criar consumidores de afeto, de caridade, de alegria (hô...hô), de retribuição, de carinho, de generosidade espiritual. Aquilo tudo que sobra em crianças que têm a feliz ingenuidade de acreditar que Papai Noel existe, distribuindo amor em forma de presentes.

Feliz Natal! Que você consuma e presenteie humanidade no ano que se inicia.

Professor das Faculdades Promove

 

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