Paternidade em dose dupla

Opinião / 05/08/2020 - 10h37

Por Cláudia Navarro

A reprodução assistida ajuda milhares de homens todos os anos a realizarem o sonho da paternidade ao lado de suas companheiras que, em geral, também sonham em ser mães. Mas neste Dia Dos Pais quero falar daqueles que comemoram a data ao lado de seus companheiros, em um lar em que a paternidade vem em dose dupla. E a data é comemorada em dobro.

Antigamente, a paternidade era totalmente associada à presença de um parceiro feminino para a concepção. Então, ser homossexual era um sentença: “você nunca será pai”! Hoje, sabemos que isso não é uma realidade, afinal, a medicina e as leis permitem que milhares de homens busquem na reprodução assistida a chance de realizarem o sonho da paternidade com seu próprio material genético. Formando, assim, uma família, sem abdicar de sua natureza e personalidade. 
No país, além do casamento homoafetivo, permitido desde 2011, a lei também permite que crianças nascidas de procedimentos de reprodução humana sejam registradas com o nome dos dois pais na certidão.

A principal forma de realizar esse sonho é por meio da barriga solidária, ou como chamamos, útero de substituição. Tudo que eles precisam é encontrar uma mulher disposta a ceder seu útero temporariamente e com muito amor. O Conselho Federal de Medicina exige que ela tenha grau de parentesco de até 4º grau de um dos parceiros, e que não receba valor algum como pagamento referente ao procedimento. Em nosso país é proibida qualquer compensação financeira para cessão do útero. 

O material genético de um dos pais é recolhido e fertilizado in vitro com um óvulo de uma doadora anônima. Ela não pode ser a mesma pessoa que está cedendo o útero. Neste caso, deve-se buscar por um banco de óvulos. Depois, esse embrião é transferido para o útero da barriga solidária.

É possível lembrar de casos famosos de realização desse sonho, como o ator Paulo Gustavo que hoje, ao lado do marido, é pai de gêmeos. Aos casais que, por algum motivo, não podem optar pela barriga solidária, a adoção é também uma linda alternativa.

A reprodução assistida contribui para as mais variadas formas de família, até mesmo para a maternidade ou paternidade solo. Todas elas são baseadas no amor, sem distinção. A medicina, como um todo, é a favor da vida. Qualquer vida!

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