Pauta para o governador de Minas

Opinião / 10/03/2020 - 06h00

Aristóteles Drummond*

O governador Zema anda falando demais e fazendo de menos. Precisa acordar para a realidade que vai para 15 meses de governo. Suas boas intenções e seu bom discurso não chegaram à realidade da profundidade da crise.

A Cemig, por exemplo, deveria lançar ações no mercado e vender ativos no valor de pelo menos um bilhão de reais. Pode ter uma gestão compartilhada e não ficar na espera de uma decisão política que não virá nunca. No mais, esta é uma estatal diferente, pois foi sempre lucrativa e com quadros profissionais de excelência. Não é prioridade, como o caso da Copasa, cujo fundo de pensão andou comprando papéis da dívida do Estado de Alagoas e ficou tudo por isso mesmo.

A questão das águas minerais é outra que deveria envergonhar o governador, que é de Araxá, onde está uma das concessões em mãos do Estado, perdendo marcas de prestígio, como Caxambu, Cambuquira e Lambari. Deveria, pelo menos, sem custo praticamente, restituir o ensino nas faculdades de Medicina mineiras da Crenologia, que é a cura pelas águas. A busca da saúde nas fontes minerais sobrevive, e bem, na Europa e as cidades possuem infraestrutura para hospedagem.

Nos anos 1930 e 1940, Getúlio Vargas frequentava anualmente Caxambu e São Lourenço.

O governador também não aproveita a eficiência do ministro Tarcísio para resolver a questão do Anel Rodoviário e do trânsito de caminhões de minério na região de Congonhas, na 040. Muito menos implanta a aviação regional na Pampulha, incluindo voos em turbo hélice ligando BH a São Paulo, Rio e Brasília. E, também, fortalecer a presença da aviação comercial no sul do Estado. É um crime o abandono do aeroporto da Pampulha.

A bandeira da revitalização das nascentes do Rio São Francisco está abandonada, persistindo as dificuldades na navegabilidade nas margens mineiras, e o Projeto Jaíba, parado e desamparado. E poderia receber parcerias com importantes grupos do agronegócio.

A falta de criatividade na sua assessoria nos faz supor que não programou nada de repercussão nacional para o 21 de abril em Ouro Preto, para onde poderia atrair a presença do presidente da República, inclusive. A voz de Minas não está sendo ouvida neste momento. E o governador poderia unir, pelo menos, 35 deputados federais na defesa de um programa liberal, número maior do que a maioria dos partidos representados na Câmara dos Deputados. Uma reinvindicação seria liberar novas autorizações para mineração fora do quadrilátero ferrífero, como a região Norte, onde abundam recursos a serem mais bem explorados pelas empresas ali instaladas, desde que incentivadas por algum tempo. E o ministro Paulo Guedes, mineiro de Ponte Nova, poderia ajudar e muito.
Mais pragmatismo, governador!!!

*Escritor e Jornalista

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários