Perspectivas influenciam o resultado de mercado

Opinião / 10/06/2021 - 06h00

Mafalda Ruivo Valente*

A ciência econômica não é uma ciência exata, é uma ciência social. É ciência porque segue o método científico (o que define uma ciência) e deixa de ser exata porque o objeto de estudo é o mercado (compradores e vendedores) que em última instância são seres humanos que reagem de maneira muitas vezes imprevisível às condições externas.

Na grande maioria das vezes, a tomada de decisão das pessoas, das empresas e do governo é feita com base em perspectivas. Isto é, a decisão do que é melhor naquele momento com base no que se sabe naquele instante e no que se acha que vai acontecer no futuro – na perspectiva.

Nesse sentido, as perspectivas influenciam o resultado de mercado. Em economia existe a teoria da “Profecia que se autorrealiza”. Resumidamente: determinado fato não vai acontecer. Mas começa a circular um boato que isso irá acontecer e todos começam a agir tendo isso como verdade e o fato acaba por acontecer justamente pela ação das pessoas. Exemplificando: começa a circular um boato que o preço do arroz vai aumentar. As pessoas começam a comprar mais do que o normal e esse aumento da demanda pressiona o preço do arroz. Então, o preço do arroz, que não ia aumentar, acaba aumentando pelo aumento da demanda fora de hora.

Como as perspectivas influenciam o resultado de mercado, é fundamental que a tomada de decisão seja feita com base no maior número possível de informações e que sejam de fontes confiáveis. Seja uma decisão pessoal, de gestão empresarial ou de governo.

É comum perguntar como vai estar o mercado ano que vem? Qual vai ser o PIB? E a inflação? Quando são feitas essas previsões (note-se bem: são previsões), os economistas e gestores informam com base nos indicadores e fatos que têm acesso no momento. Portanto, são perspectivas e essas perspectivas, uma vez divulgadas, vão influenciar na tomada de decisão do mercado (famílias, empresas e governo). Mas tudo pode mudar para melhor ou pior no mês ou na semana seguinte.

É preciso ter em mente que economia e gestão são áreas interligadas e nada estáticas e que é muito importante estar atento o tempo todo e com agilidade para conseguir se adaptar aos bons e maus momentos da economia. Muito importante também é ter acesso a fontes confiáveis de informação, conhecimento e atualização.

Sobre as perspectivas e a influência no mercado não existe exemplo melhor do que esta pandemia. Quem poderia prever em dezembro de 2019 a economia como está hoje em junho de 2021? Quem poderia prever o trabalho e aulas remotas e as novas formas de gestão?  O PIB mundial despencando em 2020? O desenvolvimento em tempo recorde de vacinas? Tudo isso já faz parte do “laboratório” de pesquisa da ciência econômica que não é uma ciência exata.

Toda decisão tomada hoje é baseda nas perspectivas que pessoas, empresas e governo formularam e já influenciam o resultado de mercado. É preciso que as fontes de informação sejam confiáveis e que os gestores sejam cada vez mais ágeis para se adaptarem às condições de mercado que mudam cada vez mais rápido e algumas vezes sem aviso prévio.

*Economista, Mestre em Economia Internacional e professora dos cursos de Administração e Gestão da Faculdade Promove

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