Perspectivas macroeconômicas para 2022

15/12/2021 às 18:15.
Atualizado em 29/12/2021 às 00:33

Marcos Antonio de Andrade

O exercício de 2021 foi crítico para a economia brasileira, seu desempenho perdeu “fôlego” antes mesmo das ações promovidas pelo governo e equipe de política monetária, com isso o resultado do PIB para 2021 deve ficar em torno de 4,7% a 5,0% de crescimento, e uma projeção otimista de no máximo 1% para 2022.
São diversos os fatores que contribuem para essa queda acentuada nas expectativas: descontrole da inflação, aperto monetário, dificuldades no quadro fiscal e volatilidade no câmbio.

A perda de fôlego da economia está relacionada à dificuldade de geração de renda para a população e aceleração da inflação. As projeções para o final de 2021 indicam IPCA acima de 10%, já para 2022 as estimativas de inflação estão em torno de 5%.

Esse cenário deve forçar o Banco Central, pelo menos no início de 2022, a manter a taxa Selic acima de 11,5%, mas com expectativas de redução no decorrer do exercício. Para os especialistas mais otimistas, podemos fechar 2022 abaixo de 10%. O desafio é grande devido aos sinais de fraqueza da atividade econômica e dificuldades para conter o avanço da inflação.

O processo de aperto monetário deve afetar a geração de novos empregos e a melhora das condições financeiras das famílias. Além disso, o registro de queda nas vendas do varejo e alto endividamento e comprometimento de renda da população são sinais de alerta constante para o exercício de 2022.

No quadro fiscal, existe sinalização positiva no curto prazo, mas ainda sem melhora estrutural nas contas públicas. O embate político deve prevalecer sem expectativas de resolução. No entanto, fica o registro de que a elevação da taxa de juros deve aumentar o endividamento público, que segundo alguns especialistas deve atingir 88% do PIB durante o próximo ano. O quadro eleitoral deve fomentar a turbulência política e manter a economia deprimida, mas se espera a vitória de um candidato que prometa controle rígido dos gastos públicos e, com isso, sinalização de alívio para o quadro fiscal.

As expectativas do câmbio para 2022 são de um real ainda depreciado, com preço médio em torno de R$ 5,60, com muita volatilidade devido às movimentações do cenário político. A boa notícia é que os fundamentos das contas externas permanecem estáveis, suportado pelos investimentos estrangeiros diretos. No entanto, não podemos desconsiderar que eventuais conflitos, frequentemente promovidos por grandes potências, trazem muita instabilidade e volatilidade para o mercado de câmbio, além de contribuir para desempenho negativo dos fundamentos macroeconômicos do mercado interno e de todo mercado global.

Mestre, pós-graduado e graduado em Administração, com habilitação em Comércio Exterior. Pós-graduado em Finanças. É professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie 

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