Pimentel proíbe vice até de usar aeronaves do governo

Opinião / 10/12/2016 - 06h00

Faltam bombeiros, ou lideranças, que possam fazer ver ao governador Fernando Pimentel (PT) e a seu vice, Antônio Andrade (PMDB), que o rompimento entre eles só agrava a já difícil situação política e administrativa do Estado. Não se sabe como exatamente tudo começou, mas o quadro piorou após as demissões de aliados do vice no governo. Agora, Pimentel baixa decreto, proibindo Andrade de usar até aeronaves do governo, ou, em caso de necessidade, como a recente inauguração de fórum na cidade de Vazante (Alto Paranaíba), onde foi prefeito, deve pedir autorização.

Politicamente, a situação de Pimentel está sob controle, porque o comandante da torre é um aliado e porque o jogo está sendo jogado apenas na Assembleia Legislativa, onde é fácil manter a maioria. Fora dali, o cenário não é dos melhores como sinaliza aquele vídeo clandestino que deputados de oposição estão fazendo circular nas redes no qual o governador é xingado por uma pessoa em um shopping paulista. Por mais que seja minoria, a oposição consegue fazer um barulho e desgaste danados. Os oposicionistas perdem todas, mas o prejuízo maior não é deles, já que não têm nada a perder.

Em Brasília, o PMDB nacional traiu o PT de Dilma Rousseff e tomou a Presidência dela. Em Minas, apesar da dissidência do vice, que é presidente estadual do partido, o PMDB é o principal sustentáculo do PT de Pimentel contra o julgamento e afastamento dele do cargo. No início do próximo ano, haverá sucessão interna no PMDB estadual, onde essa briga vai pra dentro do partido.

Os aliados de Pimentel tudo farão para reassumir o controle do PMDB para trazer mais estabilidade à parceria e garantir a reedição da coligação para 2018. Andrade detém a maioria dos delegados, mas usou métodos de partido pequeno ao dissolver diretórios que teriam sido infiéis. Com isso, faltam identidade e confiança na base. Não é de sua tradição, mas a direção nacional poderá até intervir na estadual, para impedir a manutenção da aliança com o PT, já que, hoje, ela está mais próxima do PSDB do senador Aécio Neves (presidente nacional).

Sem plenário
Aliados do prefeito eleito Alexandre Kalil (PHS) estão preocupados com o local de sua posse. Pela legislação, a posse deve ser realizada no plenário da Câmara de Vereadores, que está em obras e sem previsão de conclusão, especialmente, agora, após o afastamento do presidente e vereador Wellington Magalhães (PTN). As reuniões dos vereadores estão acontecendo em outro espaço.

Sem sucesso e sem dinheiro
Sem sucesso nas negociações com o governo federal, os prefeitos mineiros habilitaram a Associação Mineira dos Municípios (AMM) a recorrer à Justiça para ter direito, como os governadores, à multa incidente sobre o Imposto de Renda, em razão da repatriação de recursos financeiros.

O recurso adotado foi entrar como amicus curiae na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI), nº 5627. A ação pede a imediata inclusão na base de cálculo do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) da multa moratória. A ADI foi ajuizada pelo PSB do prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, que também é presidente da Frente Nacional de Prefeitos.

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