Por que o brasileiro não vive mais sem apps de serviços

Opinião / 19/04/2019 - 06h00

Otávio Tranchesi*

Em 2012 eu resolvi mudar minha vida. Não aguentava mais pagar estacionamento, gasolina e IPVA. Depois de fazer algumas contas, cheguei à conclusão de que vender meu carro e passar a andar de táxi seria uma ótima – e econômica – ideia. A única coisa que eu não contava era que, mesmo em uma cidade com mais de 30 mil taxistas, eu não conseguiria um no momento em que mais precisasse. Eu passava muito tempo ligando para todos os pontos de táxi, sendo recusado ou sequer atendido e, depois, quando finalmente conseguia encontrar um disponível, cruzava com diversos táxis vazios em busca de passageiros.

Um dia, recebi uma ligação me convidando para conversar sobre uma oportunidade de emprego. Quando cheguei me deparei com jovens de no máximo 25 anos (assim como eu) que tinham uma ideia bastante fora do convencional para a época: utilizar o smartphone para chamar táxis. Me apaixonei, larguei meu emprego e me juntei a eles naquela empreitada.


O que é mais interessante quando me lembro dessa história é que, quando começamos, nos perguntavam constantemente: “Mas por que as pessoas vão pedir pelo celular em vez de ir à rua?” ou ainda: “Quem paga para ter internet no celular? Isso é coisa de Estados Unidos ou Europa”. 

O tempo provou que nós, brasileiros, não só queríamos internet no celular como ainda nos tornamos líderes no consumo e desenvolvimento de apps: o país deve registrar um aumento de 7,2% nas transações por aplicativos até o fim de 2020, aponta a pesquisa App Annie. E digo mais: de acordo com o estudo, já somos o quarto país que mais utiliza essas ferramentas no mundo. Ou seja, as pessoas, como eu, queriam sim chamar táxi pelo celular, como previmos, mas também usar outros serviços do dia a dia, como agendar manicure, pedir comida, alugar bicicletas, reservar hotéis e fazer praticamente tudo que for possível e imaginável com ajuda de um aplicativo.

Hoje, estou no Chama, um aplicativo que tenta mudar outro setor muito importante para as famílias brasileiras: o de botijões de gás. Apesar de ser parte da vida de 80% das residências, a área não sofre nenhuma inovação há anos. O Chama chegou para adicionar transparência a um mercado que sempre foi muito fechado, o que não se justifica, já que trata-se de um dos itens essenciais para o cotidiano das pessoas.

Além de deixar a rotina mais simples e prática, o aplicativo estimula a competitividade entre os fornecedores, o que tende a levar uma diminuição do preço médio. E claro, visualizar quanto cada um cobra em uma única tela, deixa a escolha pelo menor valor muito mais fácil. Para se ter ideia, a diferença de preços praticados entre um revendedor e outro pode chegar a 30%.

Antes, para conseguir todos esses benefícios, precisávamos ligar para três ou quatro números de telefone para descobrir qual o preço praticado pelos entregadores, hoje com um simples clique é possível saber o preço, a estimativa de tempo de entrega, a avaliação de outros usuários sobre o serviço prestado e ainda realizar o pagamento de forma segura, direto pelo aplicativo. 

No mercado dinâmico da tecnologia, sempre há muito o que melhorar e é preciso estar sempre atento às inovações que surgem a todo momento. Mas de uma coisa, não há mais dúvidas: os aplicativos de serviços chegaram para ficar no cotidiano do brasileiro. Basta olhar o seu celular e contar quantos deles você já usa.

(*)Formado em economia e  diretor de marketing do aplicativo Chama, um marketplace que conecta revendedores de botijões de gás a clientes

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