Presença federal mineira

Opinião / 03/12/2019 - 06h00

Aristóteles Drummond

O governo do presidente Figueiredo foi, talvez, o que melhor aproveitou mineiros em seu ministério. Eram notáveis como Eliseu Resende, Ibrahim Abi-Ackel, João Camilo Penna, Amaury Stábile, Murilo Macedo, Murilo Badaró, todos com sucesso para Minas e o Brasil. Antes, Costa e Silva teve dois mineiros, os ex-governadores Rondon Pacheco e Magalhães Pinto; o presidente Médici, o ministro Rocha Lagoa; Geisel, apenas Alysson Paulinelli. Os militares foram sábios no aproveitamento de mineiros, sendo que todos os vices eram mineiros, como José Maria Alkmin, Pedro Aleixo e Aureliano Chaves. Sarney teve dois mineiros entre os mais próximos: José Hugo Castelo Branco e José Aparecido de Oliveira.

O atual governo está com o superministro da Economia, sendo o empresário Salim Mattar a figura de maior destaque na equipe de Paulo Guedes. Podia ter uma presença maior de líderes no Congresso, como o senador Rodrigo Pacheco, deputados como Paulo Abi-Ackel, Lafayette Andrada, Rodrigo de Castro, com grandes credenciais políticas. 

Realmente, anda faltando uma boa articulação com o Planalto, o que se justifica pela inexperiência no campo político do presidente e do governador mineiro. Mas sempre é tempo de avançar para melhorar, como fez Romeu Zema, ao ter junto a si o deputado Bilac Pinto, de grande trânsito nos meios políticos de Minas e do Brasil. 

A arrumação das contas mineiras passa pelo bom entendimento com o governo federal, onde está a maior dívida estadual. A PEC paralela da Previdência vai ajudar muito Minas quando se integrar à reforma já em vigor no âmbito federal. Mas é preciso garantir receitas e não apenas alongar dívidas.

A Cemig pode muito bem ajudar o governo a fazer caixa, com um encaminhamento pragmático de seu processo de venda de ativos e de controle compartilhado. Não precisa privatizar, que será uma longa e incerta batalha no Legislativo e no Judiciário. Basta ter gestores de experiência no setor público e não simples executivos defensores de boas causas.

O governador Zema, que vai fazer um ano de governo, de tão boas ideias, precisa cair na real!

Jornalista e escritor

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