Previdência e população rural

Opinião / 15/12/2016 - 06h01

Zé Silva*

Estamos vivendo momentos e processos de grandes transformações no Brasil, em quaisquer campos de atividades que se olhe. São mudanças necessárias e próprias das democracias, sobretudo em países como o nosso, que tiveram uma longa história de pouca evolução em questões fundamentais para o desenvolvimento sustentável e promoção da qualidade de vida. 

Nesse momento, mais uma transformação entra na linha do tempo da nossa história: a reforma da Previdência Social, cuja sustentabilidade chegou a um ponto crítico, que não permite mais deixar soluções para depois. E aqui está nossa maior preocupação nesse processo: o que significam essas mudanças na Previdência para os trabalhadores rurais? 

Na proposta de reforma apresentada pela Governo, a idade mínima para aposentadoria da população rural também é de 65 anos. Pois bem, embora os trabalhadores rurais devam ficar com uma alíquota de contribuição diferente da dos demais contribuintes – e que ainda não se sabe qual – o fato é que existem municípios de Estados do Norte e Nordeste no Brasil onde a expectativa de vida não chega a 68 anos. 

Além do mais, todos sabemos que no meio rural a vida de trabalho começa muito cedo, na adolescência ou até mesmo antes disso. Assim, entidades sindicais e outras associações de trabalhadores já estabeleceram uma prioridade: definir estratégias de debates e alternativas para apresentar ao Congresso alterações na proposta encaminhada pelo governo. 

Menos mal que o ministro Henrique Meirelles, da Fazenda, anunciou que a decisão final dessa reforma será do Congresso. Um dos últimos setores trabalhistas a entrar na cobertura da Previdência, os trabalhadores do campo não podem mais perder o bonde da historia quando se trata de benefícios e direitos sociais.

Foi assim com a energia elétrica, com os programas de habitação, e tem sido assim com educação e saúde de qualidade, com telefonia, saneamento básico e outros direitos. Vamos ficar atentos e, a partir de debates, informações e interação com a população rural, colocamos desde agora nosso mandato para ações legitimas de defesa dos direitos dos produtores e trabalhadores do meio rural. 

(*) Agrônomo, extensionista rural, deputado federal pelo Solidariedade/MG 

 

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