Projeto para a educação brasileira é urgente

Opinião / 19/12/2019 - 06h00

Renato Casagrande

O Brasil está entre os últimos no ranking da educação mundial, segundo os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa). É duro, mas a constatação é de que a educação pública do Brasil está estagnada e os resultados nos permitem fazer algumas reflexões. Desde a comparação entre o desempenho das escolas privadas com as públicas, passando pela análise das políticas governamentais implantadas e chegando até a identificação de algumas das causas do baixo nível de aprendizagem dos nossos alunos.

Os últimos governos promoveram mudanças e focaram investimentos em áreas específicas. Não podemos negar que tivermos avanços, mas não observamos resultados positivos no que se refere à qualidade e à melhoria da aprendizagem.

Ao longo dos meus 30 anos no magistério, trabalhando como professor, gestor e pesquisador, concluí que as principais travas que impedem melhores resultados são: a real situação em que se encontram os professores, o baixo envolvimento e participação das famílias no processo de aprendizagem dos estudantes e a precariedade das escolas e do modelo educacional vigente. 

Em alguns dos estudos que realizei sobre a rede pública de ensino, identifiquei que o que mais tem impedido o professor de realizar seu potencial é a baixa motivação, explicada pela baixa valorização, pelos baixos salários, pela violência que acerca a escola e pelos problemas sociais que os professores precisam enfrentar no seu cotidiano. 

Enfim, são tantos os problemas e desafios com os quais temos que lidar que eu poderia ficar aqui discorrendo horas e horas. Sinceramente, acredito que não conseguiremos sair dessa estagnação se não tivermos um projeto de revolução na educação. Um projeto que consiga resgatar a autoestima do professor, que transforme gestores em líderes, que consiga envolver os pais e as famílias e que reinvente a escola pública no Brasil. E esse projeto deve ser de todos. 

A sociedade civil precisa abraçar essa causa. Jogar toda a culpa no governo ou deixar tudo na mão dele tem sido o nosso principal erro estratégico como sociedade.

Afinal, os maus resultados estão aí. Se não fizermos um verdadeiro mutirão, tenho certeza de que daqui a 20 anos estaremos novamente discutindo o mesmo tema.

E, provavelmente, o tempo não será generoso com nossa inércia.

Presidente do Instituto Casagrande, conferencista, palestrante, escritor, pesquisador e consultor em liderança e gestão no ambiente educacional

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