Prova on-line, um avanço educacional

Opinião / 23/04/2021 - 06h00

 

Adriano Guimarães*

 

Quando a Covid-19 começou a se espalhar pelo mundo, poucas certezas havia sobre seus impactos no setor educacional. Sabia-se apenas que muitas atividades realizadas dentro das escolas e universidades precisariam de novas roupagens e que a educação não poderia se manter tão conservadora como sempre foi.

 

Dentro deste contexto, abriu-se caminho para muitas tecnologias que antes eram sumariamente descartadas, mesmo no ensino EAD. É o caso das avaliações on-line, vistas com uma desconfiança que mais tinha a ver com desconhecimento do que com sua real eficiência e confiabilidade. Havia uma visão pessimista sobre o que poderia avançar no processo de avaliação com o apoio da tecnologia.

 

Antes da pandemia, acreditava-se que a presença física, seja para fiscalizar o aluno, seja para sentir as reações em relação à prova, era imprescindível. Entretanto, de uma hora para outra, vimos uma situação completamente nova, que derrubou esses mitos. Mas, afinal, como é possível ter certeza de que as avaliações on-line são capazes de medir o conhecimento exato do estudante de maneira segura?

 

Em primeiro lugar, é preciso entender que o bom processo avaliativo não deve priorizar apenas o resultado ou o processo em si, mas sim ser prática de investigação sobre a relação entre ensino e aprendizagem. Ele deve buscar identificar os conhecimentos construídos e as dificuldades de forma dialógica, no qual o erro passa a indicar como o educando está relacionando os conhecimentos que já possui com as novas informações que estão sendo adquiridas.

 

No passado, com as provas feitas em papel, de maneira analógica, a escola precisava disponibilizar a avaliação e o aluno precisava estar presencialmente na instituição para submeter-se a ela. Os papeis precisavam ser impressos e, depois de terminada a prova, eles não serviriam para mais nada e seu destino seriam o lixo. Um desperdício.

 

Este processo era muito trabalhoso para os professores e ocorria em períodos que variavam de dois a quatro meses, a depender da escola. O tempo de correção das avaliações obviamente também era maior, até porque demandava dedicação intelectual dos docentes.

 

A partir da adoção das avaliações on-line, as escolas perceberam que podem avaliar mais e melhor, incorporando o real conceito de avaliação educacional. As provas passaram a ser feitas a qualquer momento, sempre que os mestres sentem necessidade de um novo indicador, permitindo que se saiba mais agilmente os pontos que cada aluno precisa melhorar. Sem falar no ganho de tempo dos profissionais. E quando a instituição avalia mais vezes, pode melhorar a medição de seus indicadores.

 

Os softwares tornam todo este processo mais eficiente, mais econômico, mais automatizado e mais rápido, garantindo mais facilmente os indicadores necessários para fazer a instituição tomar decisões a respeito de seus processos educacionais. Será que estou ensinando bem? Meu aluno está aprendendo de fato?

 

Talvez você esteja se perguntando sobre a questão da segurança das provas digitais. Será que é confiável permitir a um aluno fazer um vestibular on-line, sem que se possa fiscalizá-lo presencialmente, o tempo todo? Bem, é necessário que a instituição conte com tecnologias eficientes a distância para saber se ele está tendo o comportamento adequado, sem colar nem consultar.

 

Hoje, existem ferramentas 100% seguras no Brasil, equipadas com softwares de reconhecimento facial e monitoramento de comportamento. Por meio da câmera do computador ou de uma webcam, é possível verificar se o aluno ou candidato está olhando para a prova, se está tentando consultar as respostas em algum lugar ou se está perguntando algo para alguém. São sistemas que monitoram o comportamento de todos os estudantes ao mesmo tempo - o que é impossível de ser controlado por um ou dois professores em sala. Bem se entende porque os sistemas são mais confiáveis, não?

 

Outro ponto importante é que as provas on-line podem ser realizadas de qualquer lugar, sendo práticas tanto para aluno quanto para mestres. Em um momento como este no qual vivemos, quando não sabemos quando poderemos voltar a reunir muitos alunos em uma mesma sala de aula, a prova on-line se apresenta como uma alternativa inovadora e com enorme valor agregado para o setor educacional.

 

Para se ter uma ideia do futuro promissor das provas on-line, o MEC anunciou que, em cinco anos, o Enem será totalmente digital. Claro que o governo terá de trabalhar uma série de questões de infraestrutura e de tecnologia até lá, mas a previsão é plenamente possível.

 

Em se tratando de avaliações, ainda que fosse anunciada hoje a cura da Covid-19, a tendência para que as provas continuem sendo feitas on-line é muito grande, por causa dos ganhos de produtividade para as instituições. Os primeiros passos para quebrar tabus que permaneciam intactos desde a criação da escola já foram dados. A expectativa é que tanto o ensino virtual quanto as ferramentas tecnológicas que permitam sua consolidação continuem seguindo firmes e ganhando cada vez mais espaço, representando bem o papel que lhes foi dado: o de avanço educacional.

 

*Adriano Guimarães é CEO da Prova Fácil

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