Quando acabar, o maluco sou eu

Opinião / 05/09/2020 - 06h00

Mauro Condé*

“A loucura sábia sabe que a sabedoria é louca e a loucura louca é suficientemente louca para acreditar na sabedoria” - Rouanet

Acabo de voltar de uma viagem rumo ao conhecimento, usando como meio de transporte excelentes livros sobre Filosofia.

Eles me levaram para a Holanda de 1536, onde fui recebido pelo filósofo humanista Erasmo de Rotterdam, a quem fui logo pedindo:

Ensina-me algo que eu ainda não saiba e tenha o poder de mudar a minha vida para melhor.

Desenvolva uma “esquizofrenia” branda e saudável.

A loucura é a única coisa que torna a vida mais suportável, me ensinou ele, contando como teve a ideia de escrever sua obra clássica “O Elogio da Loucura”, um dos livros mais lidos de toda a História depois da Bíblia e que inspirou reformas pelo mundo inteiro.

Foi durante uma cavalgada da Suíça até a Inglaterra a fim de visitar seu famoso e nobre amigo Thomas More, que Erasmo aproveitou para nomear, em tom satírico, a Loucura como personagem central da história – responsabilizando-a por toda a desordem e confusão do mundo naquela época.

E durante as várias páginas de sua obra é possível ver a Loucura, em primeira pessoa, se gabando e se auto elogiando de suas habilidades para se infiltrar na mente de qualquer ser humano.

Afinal, como dizia a Loucura, só ela era capaz de mover as pessoas a se casarem, de papel passado e com testemunha, união contratada para vida inteira.
Se não estivessem submetidos ao império da Loucura, muito provavelmente nenhum homem toleraria uma mulher pelo resto da vida e vice-versa.

Só a Loucura se dizia capaz de fazer o homem enlouquecer a ponto de aguentar chefes igualmente loucos em trabalhos insanos apenas em troca de um salário.

A Loucura se proclamava a senhora das guerras, a única a convencer seres humanos ditos normais a se matarem em conflitos totalmente sem sentido.

A Loucura também dizia que governava a religião, na época das indulgências, para convencer fiéis seguidores a acreditarem que seria possível trocar a fé pelo dinheiro.

Enfim ela se infiltrava na mente de todos os seres vivos para que eles fossem capazes de cometer as mais variadas loucuras.

Qualquer pessoa que leia hoje “O Elogio da Loucura”, disponível para download grátis na internet, achará impossível esse livro ter sido escrito há cinco séculos atrás.

E veja que loucura, coincidentemente, enquanto eu escrevia este artigo começou a tocar na rádio a música do Raul Seixas “Quando acabar, o maluco sou eu”.

*Palestrante, Consultor e Fundador do Blog do Maluco.
 

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