Reconstrução da pele e autoestima

Opinião / 18/05/2020 - 06h00

Pedro Nery Bersan*

 câncer de pele representa 33% dos diagnósticos de todos os tipos brasileiros de câncer. O Instituto Nacional do Câncer (INCA) registra 180 mil novos casos anuais, aproximadamente. A doença é decorrente de diversos fatores, como pele e olhos claros, genética, doenças cutâneas prévias, trabalho sob exposição direta ao sol, exposição solar prolongada e repetida ou a câmaras de bronzeamento artificial. A doença possui diversos tipos e se manifesta de diferentes formas. A recomendação é manter cuidados necessários, como hidratação e o uso do protetor solar, observando alterações em lesões ou pintas suspeitas, verificando se tem assimetria, irregularidades no contorno, cores diferentes na mesma pinta ou lesão, diâmetro maior que 6 milímetros e crescimento. O problema gera tumores que precisam ser retirados.

A remoção cirúrgica pode resultar em cicatrizes, causando, até mesmo, desfiguração, quando a lesão acontece em uma região sensível, como rosto e pescoço. Nesses casos, a cirurgia plástica para câncer de pele é indicada para preservação da saúde, aparência e autoestima dos acometidos. 

As lesões pequenas costumam ser resolvidas com facilidade numa rápida intervenção. Entretanto, o cirurgião plástico deve estar atento e se certificar que todas as células cancerígenas foram retiradas, antes de iniciar a reconstrução. O especialista deve analisar o tecido e examinar a região. Geralmente, a área é reconstruída com retalho, reposicionando o tecido saudável sobre a ferida, ou enxerto de pele, em que se retira a pele saudável de outra região do corpo e implanta na parte afetada. 

A pessoa poderá retomar atividades leves no mesmo dia, sendo possível ocorrer dor, vermelhidão e acúmulo de líquido. A cicatrização dura semanas ou meses, dependendo de cada caso. O resultado só será perceptível cerca de um ano depois. A recuperação é tranquila e o profissional atua prevenindo e reduzindo ao máximo o aspecto das cicatrizes, apesar de nenhuma cirurgia ficar imune ao aparecimento delas. 
É preciso estar ciente que a cirurgia plástica para câncer de pele busca uma aparência mais natural, mas não recupera completa e perfeitamente o estado anterior da pele. As alterações de cor e textura podem ser perceptíveis, porém, ainda que a aparência anterior não seja totalmente restaurada, as lesões do câncer são curadas com sucesso. Em alguns casos, como em lesões mais profundas ou extensas, a reconstrução pode exigir mais de um procedimento para chegar aos resultados esperados. 

O trabalho de uma equipe multidisciplinar é essencial com a participação do oncologista, dermatologista e o cirurgião plástico para tomar as melhores decisões, propiciando o tratamento oncológico adequado em conjunto com a reconstituição da pele. 

*Cirurgião plástico do Hospital Madre Teresa e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica

 

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