Recordações de estudar em Cuba

Opinião / 28/12/2014 - 07h32
Por José Roberto Lima
 
Os Estados Unidos restabeleceram relações diplomáticas com Cuba. A notícia é ótima, apesar das décadas de atraso. No caso do Brasil, as relações foram restabelecidas em 1986. E o que perdemos no âmbito da política internacional? Nada. Mas ganhamos muito nas relações comerciais.
 
Em 1989, nossas exportações para Cuba ultrapassaram 76 milhões de dólares. Ao longo dos últimos anos, esse comércio foi impulsionado. Chegamos em 2013 superando a cifra de 521 milhões de dólares.
 
Excluindo-se a venda do petróleo venezuelano, o Brasil é o segundo maior exportador para Cuba, atrás apenas da China. O Canadá, que se apresenta na política internacional como fiel aliado do Tio San, vem logo atrás do Brasil (fonte: elpais.com/brasil/2014/03/27; acesso em 22/12/2014).
 
Bastaram alguns anos após o fim da Guerra Fria para a questão cubana deixar de ser ideológica e se tornar um tema meramente comercial. Então, com o recente e importante passo dos Estados Unidos, chegou a hora de fazermos as integrações cultural, intelectual, estudantil, etc.
 
No que se refere aos concursos públicos, o Brasil tem sido, nas últimas décadas, exemplo e inspiração para outros países.
Então, o fim do embargo contra Cuba pode revigorar o discurso do Doutor Rosinha, deputado federal pelo Paraná, que defendeu a realização de concurso para o quadro de funcionários do Mercosul, pondo fim à prática de indicação dos funcionários por parlamentares dos países integrantes daquele órgão de integração.
Ainda que isso seja um sonho distante, podemos, por enquanto, sonhar com um pouco menos: a integração das escolas e faculdade, dos professores e alunos brasileiros com os dos demais países latino-americanos, incluindo, claro, Cuba.
 
Em 1985, o escritor Oswaldo França Junior (1936-1989) mineiro da cidade do Serro, foi convidado a participar do corpo de jurados em um festival literário de Cuba. Dessa viagem se originou o livro “Recordações de amar em Cuba”, de 1986. A propósito, essa obra foi traduzida na Alemanha, na França, na antiga União Soviética, na antiga Tchecoslováquia e... nos Estados Unidos.
 
Não sei onde estava o presidente Ronald Reagan que não percebeu, naquela época, a inutilidade do embargo para conter a vontade de integração dos povos. Afinal, isso os governantes brasileiros, das mais variadas ideologias, já haviam percebido desde 1986.
 
Enfim, a decisão do presidente Barack Obama é um reconhecimento de que as ideologias não devem interferir nas relações comerciais, tampouco culturais.
 
Assim, chegará o dia em que as faculdades, os intelectuais, os professores, os estudantes, todos nós, povos da América Latina, estaremos integrados. Quando esse dia chegar, poderemos parafrasear a obra de Oswaldo França Junior, pois teremos “recordações de estudar em Cuba”.
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários