Remoção de rejeitos é uma atividade desafiadora

Opinião / 29/09/2020 - 06h00

Eduardo Neves*

Remover o rejeito proveniente da B1 de toda a área impactada é uma das atividades mais desafiadoras do nosso trabalho de Reparação e recuperação ambiental em Brumadinho. Além dos desafios técnicos, do cuidado com a segurança dos trabalhadores e das comunidades próximas, existe uma densidade emocional muito grande incorporada à atividade e no nosso apoio às buscas dos Bombeiros pelas 11 Joias ainda não encontradas.

Um dos desafios é o próprio volume do material a ser removido. Nossa estimativa feita com base em estudos e investigações geotécnicas é que cerca de 9 milhões de metros cúbicos vazaram da B1. Até o momento, já manuseamos aproximadamente 1,8 milhão de metros cúbicos, o que corresponde a 20% do total. Além do volume, a remoção está diretamente ligada às buscas dos bombeiros e é planejada, executada e replanejada sempre junto com eles. Hoje, estamos empenhados em concluir a remoção até o final de 2025, dependendo do ritmo e das estratégias das buscas, que são definidos pelos Bombeiros.

A área atingida é outro ponto desafiador. A maior parte dos rejeitos está depositada em cerca de 304 hectares. A área segue o vale do ribeirão Ferro-Carvão, dentro da mina Córrego do Feijão, desde a B1 até a confluência com o rio Paraopeba. Cada trecho tem características de segurança, acessos, volume e condições diferentes de deposição do material, além da umidade provocada pela presença de afluentes hídricos na região, o que acrescenta um grau de maior complexidade nos processos de análise e manuseio.

A execução eficiente da remoção é feita a partir da utilização de maquinário adequado para cada intervenção em cada trecho. Desde o rompimento, já mobilizamos 480 equipamentos e estimamos chegar a aproximadamente 700 máquinas, além de incorporamos a cada dia novas tecnologias de manejo, como scanners para medir o volume transportado por caminhões, telemetria para disponibilização constante das informações, peneiras para segregação de outros materiais e treinamentos periódicos dos nossos times. Ações essas sempre alinhadas e reportadas ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e demais órgãos competentes.

A equipe de remoção é formada prioritariamente por pessoas de Brumadinho e localidades próximas, o que garante a geração de emprego e renda prioritariamente na região. Esse time já alcançou a colaboração de 1.155 pessoas e pode chegar a cerca de 1.500 trabalhadores.

Toda movimentação de rejeito tem o objetivo de apoiar os bombeiros e contribuir para a buscas pelas Joias, o que aumenta nossa determinação em superar os obstáculos e cumprir nosso compromisso com os atingidos, com a Reparação e com a recuperação ambiental das áreas impactadas e do rio Paraopeba.


*Gerente de Implantação Projetos Brumadinho da Vale

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