Retenção no ensino

Opinião / 20/05/2016 - 06h00

Christina Fabel (*)

O Censo da Educação Básica de 2015, divulgado recentemente pelo Ministério da Educação (MEC), apresentou uma realidade preocupante: o agravamento da crise no ensino médio, cujo público é formado por 8,07 milhões de estudantes. A redução no número de matrículas foi assustadora em 2015: quase 300 mil inscrições abaixo do ano anterior. O Censo revelou ainda que 1,6 milhão de jovens brasileiros de 15 a 17 anos estavam sem estudar em 2015 e que a queda de matrículas no Ensino Médio ocorre desde 2010, sendo essa etapa considerada um dos maiores gargalos da educação no país. A triste realidade de grande parte das escolas públicas brasileiras deve ser combatida com iniciativas profundas para uma recon-ceituação do ensino médio e retenção de alunos.

O atual contexto tecno-lógico modificou a forma como os jovens se relacionam em sociedade, o que não foi acompanhado pelas diretrizes curriculares. Nesse mundo em movimento, de mudanças constantes e avanços tecnológicos, as interações entre as pessoas tornam-se cada vez mais necessárias para buscar informação e aquisição do conhecimento. A educação, por sua vez, é um processo que gera essa movimentação e transformação pessoal.

O processo educacional deve estar centrado em uma filosofia baseada em valores para organizar a grade curricular, visando atender às exigências do MEC e às novas demandas dos jovens, tornando-se mais atrativa para eles. As instituições de ensino devem estar sintonizadas com a realidade desse novo século, apresentando em suas bases as disciplinas do CBC (Conteúdos Básicos Comuns) e, em sua essência, atividades intencionais para a preparação do aluno em relação ao Enem, vestibulares e concursos, sem se esquecer da vivência social e do direcionamento às escolhas profissionais.

Criar, recriar, descobrir, analisar, relacionar e associar são algumas habilidades muito requeridas socialmente. Essas novas exigências devem ser inseridas em atividades interdisciplinares no currículo. Uma boa maneira para fazer isso é adotar a Robótica em sala de aula. A utilização da tecnologia para o ensino de conteúdos de física e matemática gera curiosidade entre os alunos, incentivando o raciocínio lógico e a criatividade, podendo, até mesmo, abrir portas para a inscrição em torneios estudantis de Robótica. 

Recomenda-se ainda a utilização de laboratórios de enriquecimento linguístico para aprimorar a qualificação profissional dos estudantes. Em geral, o ensino de inglês é a opção nos colégios brasileiros, mas pode ser complementado pelo aprendizado de espanhol. A gestão do tempo e do espaço didático deve ser referencial para a carga horária no ensino médio. O ideal é que ela seja estendida à tarde, com aulas, provas, avaliações processuais e contínuas, simulados e curso intensivo Enem, no caso de estudantes do 3° ano.

A capacitação deve ser complementada por projetos de formação humana com diferentes modalidades organizativas como projetos, visitas técnicas, campanhas solidárias e fóruns. O objetivo é construir valores e o convívio colaborativo entre alunos, familiares e comunidade escolar. Ressalta-se que, independentemente de qualquer projeto pedagógico, uma equipe de educadores com sensibilidade, competência e excelente qualificação é fundamental para qualquer instituição de ensino, reafirmando o papel de sistematizar conhecimentos adquiridos na preparação do aluno para o exercício da cidadania.

(*) Diretora de ensino do Colégio ICJ

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