Riscos da maternidade tardia

Opinião / 08/03/2021 - 06h00

Marco Melo*

A prioridade da maioria das mulheres é se realizar profissionalmente, conhecer o mundo e, só depois, ter filhos. Com isso, ao planejar a maternidade, muitas ficam em dúvida em relação à idade máxima para engravidar. Diante dessa mudança comportamental, é crucial esclarecer que, por métodos naturais, teoricamente, a gravidez é possível até cessarem as ovulações com a chegada da menopausa. Do ponto de vista da reprodução assistida, o Código de Ética publicado pelo Conselho Federal de Medicina estabelece tratamento até 50 anos para uma gestação com menos riscos possíveis. Entretanto, não se proíbe a gravidez após essa idade. A recomendação é até essa faixa etária, porque diversos trabalhos científicos apontam aumento da mortalidade materna.

A idade ideal para ser mãe, segundo a literatura médica, é abaixo dos 35 anos para um risco menor de complicações obstétricas e materna com o corpo mais propício para a gravidez. Ainda é observado o ponto de vista fetal, considerando a maior qualidade dos óvulos, que reduzem a incidência de complicações para o bebê. 

Ao optar por uma gestação após os 40 anos, deve se estar ciente que a idade implica diretamente na probabilidade de complicações obstétricas e neonatais, sendo três as mais frequentes. A diabetes gestacional ocorre com a sobrecarga do funcionamento do pâncreas, provocada pelos hormônios da gravidez e o aumento do peso. A segunda complicação é o agravamento de uma hipertensão arterial pré-existente ou o surgimento de hipertensão específica com um aumento da quantidade de sangue - a chamada volemia - e isso faz com que o coração tenha que bater com mais força para distribuir o sangue a todos os órgãos. 

Para reduzir a pressão dessa corrente sanguínea, o útero passa a funcionar como um “reservatório” e, devido a idade, os vasos já não têm tanta distensibilidade e não conseguem relaxar para aguentar o aumento de volume, provocando a hipertensão ou um agravamento de uma hipertensão anterior. 

Já a terceira complicação é a prematuridade, relacionada às complicações obstétricas, levando o médico a interromper a gestação mais cedo por causa do risco de vida da mãe, do bebê ou de ambos.

Com relação às complicações em bebês, a principal e mais comum é alteração cromossômica. A mulher nasce com todos os óvulos que serão usados ao longo da vida. Considerando que os gametas têm a idade dela, isso faz com que incidência de alterações cromossômicas nos bebês cresçam com o passar dos anos. Há, ainda, a prematuridade que pode impactar no desenvolvimento de órgãos como o pulmão e do sistema digestivo, complicando os primeiros meses anos de evolução do bebê.

É importante ressaltar que, apesar da maternidade tardia requerer cuidados especiais, é totalmente possível e pode ser saudável. A mulher só precisa se atentar aos cuidados com a saúde desde o início do planejamento da maternidade, adotando uma dieta balanceada e praticando atividade física regularmente. O acompanhamento médico é fundamental, desde o início da concepção.

*Especialista em reprodução assistida e sócio-diretor da Clínica Vilara

 

 

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