Saúde: principal preocupação do brasileiro no pós-pandemia

Opinião / 08/08/2020 - 06h00

Daniella Pimenta*

A saúde aparece em primeiro lugar dentre as preocupações das famílias brasileiras no pós-pandemia (62%), seguida de questões financeiras como dívidas, orçamento e poupança (somam 53%), trabalho e renda (30%) e educação (23%). Lazer figura em último lugar (19%). Os dados são de um levantamento do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe), feito entre 7 e 15 de julho, por telefone, com 1,5 mil chefes de família em todo o país.

A pesquisa também mostra que no mundo pós-pandemia investir mais tempo em ações de solidariedade com os mais carentes (48%) e a prática de exercícios físicos (42%) são outras tendências de comportamentos. O resultado evidencia um dos legados que a pandemia de Covid-19 deixará para os brasileiros: a importância do autocuidado e da empatia.

Agora, mais do que nunca, todos nós devemos estar atentos à saúde, tanto física quanto mental, e não nos esquecermos de cuidados simples no dia a dia. Pessoas sem doenças devem se cuidar para não adoecerem, ou seja, priorizar um estilo de vida minimamente saudável. Manter uma alimentação equilibrada, abandonar o cigarro e acabar com o sedentarismo podem ser fortes aliados nesta mudança de comportamento. Os hábitos de higiene, muito disseminados nesta pandemia, também devem permanecer, mesmo quando ela passar, afinal a limpeza correta das mãos reduz em 40% a incidência de infecções.

Quanto ao papel do governo, acredito que o investimento constante em pesquisas clínicas é mais que necessário: é crucial. A espera por uma vacina para o coronavírus, por exemplo, evidencia essa necessidade. Em nossa história recente nunca ficamos tão dependentes da ciência quanto agora. Se o investimento em pesquisas acontecesse de forma contínua, talvez não haveria a necessidade de um grande montante ser destinado agora, nos momentos de urgência.

Não posso esquecer também da importância de o poder público gastar mais com saúde. E a preocupação tem motivo. Segundo a Organização para a Cooperação e Dese[TXT_COL]nvolvimento Econômico (OCDE), o Brasil investe 9,2% do PIB (soma de todas as riquezas produzidas) nesta área. O valor é pouco acima da média dos 37 países-membros da OCDE, a maioria ricos, que é de 8,8% do PIB. Mas no caso do nosso país, boa parte dessas despesas são privadas. A fatia dos recursos públicos investidos representa apenas 4% do PIB, menos da metade do percentual da França, por exemplo. Se levarmos em conta que no Brasil, mais de 70% da população depende exclusivamente do SUS para ter acesso a serviços de saúde, esse investimento do Governo, infelizmente é irrisório. Entretanto, não podemos negar que sem o SUS a situação seria ainda pior.

*Daniella Pimenta – oncologista clínica do Cetus Oncologia

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