Sorte ou revés?

Opinião / 15/10/2020 - 06h00

Willian Kahler*
 

Os desfechos das consequências geradas no mais distinto dos anos da Idade Contemporânea remetem à reflexão: é possível afirmar que alguém estava preparado para tudo o que vem acontecendo?

É provável que muitos tomadores de decisões nas organizações foram “convidados” a rever suas projeções para 2020 logo ao final do primeiro trimestre - e acredito que não seja necessário explicar o motivo. Ouso dizer que, em sua grande maioria, tenham falhado nos ajustes de suas projeções. Isso porque a gama de acontecimentos peculiares que temos presenciado fez com que determinados setores (e não estou falando dos exemplos mais triviais, como área da saúde ou supermercados) sofressem impactos inesperados nos seus negócios.

Os problemas vão desde a escassez de matéria-prima no mercado siderúrgico, por exemplo, até a maior aceitação a aplicações de risco, depois de se verificarem oscilações bruscas dos investimentos bancários. Agora, acreditem ou não, alguns ainda dizem: “Meu negócio já estava preparado!”.

Recentemente, assisti a um vídeo no qual um empreendedor gabava-se pelo fato de nunca ter possuído uma estrutura física e tampouco reunido toda a sua equipe uma só vez. E que, obviamente, essa “cultura do trabalho a distância” facilitou a adaptação do seu negócio, o que de fato é verdade.

Porém, esse caso seria preparação ou sorte? Afinal de contas, como mencionei antes, será possível que um modelo de negócio estivesse previamente adequado para enfrentar o caos? Estaríamos, na verdade, passando pelo campo “Sorte ou Revés” no tabuleiro do famigerado jogo “Banco Imobiliário”? Em que medida o resultado descrito nas cartas dita o sucesso ou fracasso de cada jogador?

Não creio que todos estejam presos no sistema “sorte ou revés”. Correndo o risco de ser clichê, estou convicto que existem, sim, os que fazem a própria sorte.
Já li que as maiores epidemias do mundo moderno são a depressão e a ansiedade. Pessoas que vivem demasiadamente no passado e/ou no futuro. E fica muito claro, para mim, que esses comportamentos transferem-se também para as empresas. Afinal, elas são feitas de pessoas, não? Preso a projeções, análises de histórico, passado contra futuro, em um loop infinito para tentar prever um horizonte repleto de neblina, ninguém consegue enxergar poucos metros à frente.
No fim, vejo que quem se manteve no presente, vivendo o hoje e alinhando a vela do seu barco conforme as necessidades, sem impor ou se amarrar a nenhuma verdade absoluta, está se saindo bem, independentemente do cenário, segmento ou projeções. E não é que o futuro sempre esteve, mesmo, em suas próprias mãos?

*É sócio-diretor da Messem Investimentos.

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