Tecnologia e inclusão social

Opinião / 04/10/2019 - 06h00

Frederico Queiroz

A tecnologia surgiu na nossa vida impactando positivamente nossas rotinas, tanto no âmbito profissional quanto no pessoal. Entre os muitos papéis que desempenha, a possibilidade de conectar pessoas de forma igualitária, é um dos destaques. E quando pensamos especificamente em inclusão social e acessibilidade neste contexto, isso se torna ainda mais valioso.

O Dia Nacional das Pessoas com Deficiência (PCDs) é comemorado em setembro. A data é um passo importante para começarmos a repensar a questão, principalmente no que diz respeito à inserção dessas pessoas no mercado de trabalho e em atividades voltadas ao setor da tecnologia, uma vez que esse é um dos setores mais democráticos que existem.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil, 45 milhões de pessoas possuem algum tipo de deficiência, o que corresponde a quase 25% da população do país. Apesar disso, somente 1% do total das carteiras assinadas no Brasil são de pessoas com deficiência.

Diversos fatores compõem este cenário, além da baixa demanda de vagas, muitas empresas, apesar de saberem sobre a responsabilidade de incluírem deficientes no núcleo de colaboradores, ainda resistem em contratá-los. Segundo o Art. 93 da Lei 8.213/91, empresas com 100 ou mais funcionários devem ter em seu quadro de 2% a 5% de beneficiários reabilitados ou pessoas com deficiência.

De olho no atual cenário em que os PCDs vivem, muitas startups de tecnologia têm buscado em suas plataformas todo o tipo de colaborador, como forma de incentivar a contratação desses profissionais. No segmento de tecnologia da informação, é possível já perceber uma movimentação em prol da inclusão desse grupo.

Isso porque o segmento permite que esses técnicos prestem serviços de forma remota, uma vantagem para pessoas que têm alguma restrição em relação a locomoção ou adaptação do mobiliário, por exemplo. Por isso, trabalhar de casa pode ser um benefício, além de propiciar uma jornada mais flexível. Pensando em inclusão, muitas empresas já estão desenvolvendo técnicas e formas de adaptar seu espaço físico para receber profissionais especiais.

Portanto, o mercado de TI tem aberto um importante caminho para a conscientização de outras áreas em relação à contratação de pessoas com deficiência. A tendência para o futuro é que organizações de diferentes portes empreguem essas pessoas e que isso não seja uma imposição e, sim, uma realidade.

CEO da NetSupport, plataforma digital para solução de problemas em TI

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