Tem vaga sobrando no mercado digital

Opinião / 17/07/2021 - 06h00

Guilherme Junqueira*

Sou um apaixonado por educação, mais ainda por uma educação que vai revolucionar o mercado de trabalho nos próximos anos: a da área digital. O Brasil já tem ao menos 7% da sua população desempregada, ou seja, 14 milhões de pessoas. Eu acho que tem lugar ao sol pra todo mundo e, além das políticas públicas e as crises que contribuem para esse gargalo, nem todo mundo olha para uma direção promissora. A área de tecnologia já é responsável pelo avanço de qualquer negócio, e sabe quantas oportunidades de trabalho essa área vai abrir nos próximos três meses? Serão 20 mil vagas, de acordo com uma pesquisa que realizamos aqui na Gama Academy. Mas falta capacitação profissional.

Uma pessoa que nasceu no século XVIII provavelmente viveria no máximo por 40 anos. Isso porque não havia recursos científicos para melhorar a qualidade de vida dessas pessoas, inclusive recursos tecnológicos. Hoje, a expectativa de vida já ultrapassa os 80 anos em países mais desenvolvidos. É possível um paradoxo também com o mundo dos negócios, pois dificilmente uma empresa sobrevive atualmente sem tecnologia. E, por isso, as empresas demandam cada vez mais profissionais capacitados.

O Brasil é um país que consome tecnologia como quase nenhum outro: são 140 milhões de usuários nas redes, somos o segundo maior mercado no Whatsapp e utilizando o Uber. Além disso, somos o terceiro maior mercado do Facebook, Instagram e da Netflix. Há uma avenida enorme para o mercado digital por aqui. O Tech Jobs Report ouviu empresas e startups brasileiras que vão recrutar essas mais de 20 mil pessoas para desenvolver, vender, criar e programar. Só em São Paulo, maior estado em população e PIB do país, serão 9 mil vagas em ao menos três meses.

Esse mercado digital que eu estou falando deve pagar cerca de R﹩ 2.500 para quem está começando e ultrapassar os R 7.500 ainda nesse início. De acordo com a pesquisa, são 35,5% das empresas buscando por profissionais já em nível pleno, o que nos faz refletir que a especialização mais rápida da mão de obra é um diferencial, uma vez que, para ganhar experiência, é preciso tempo. Ocupando uma cadeira numa sala de aula por quatro anos, você vai levar pelo menos o dobro disso para atingir o nível pleno. O mais interessante de estudar as áreas de tecnologia é a rapidez com que escolas de capacitação digital conseguem formar esses profissionais. O mercado de edtechs também já está empenhado em capacitar áreas dentro das empresas para digitalizar os setores e colaboradores.

Ainda de acordo com o Tech Jobs Report, o mercado digital realmente possibilita que sejam contratadas pessoas de qualquer lugar para trabalhar nas empresas. Ninguém precisa morar em São Paulo para trabalhar na cidade. As companhias dizem que 54,8% irão seguir em home office mesmo após a pandemia e apenas 9,7% serão totalmente presenciais. Os demais seguirão modelos híbridos de funcionamento, ou equipes mistas (alguns em casa, outros no escritório). A Social Miner, LuizaLabs, Predicta, Líder e Gestão, EPAM Systems e a Creative Circle são as empresas com mais vagas entre os estados. E sabe o que a metade delas busca em seus candidatos? As Soft Skills estão na lista de 50% das empresas que irão recrutar nos próximos meses.

As empresas que especificamente trabalham com tecnologia ocupam a fatia de 35,5% entre os entrevistados nessa pesquisa. Mas há cargos em expressiva quantidade em todos os segmentos. A boa notícia para muitos é que 48,4% dos regimes de contratações serão CLT.

As 20 mil oportunidades que anseiam por profissionais qualificados para o mercado digital já começaram a ser listadas, muitas delas ficam sobrando porque falta esse candidato. As chamadas profissões do futuro já são extremamente demandadas no presente e há espaço e escolas para capacitação rápida e de qualidade e nem sempre a um alto custo. Ou você se digitaliza profissionalmente, ou perderá espaço num mercado que esbanja vagas.

*CEO da Gama Academy

 

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários