Toda mãe é especial e deve se sentir assim

Opinião / 22/05/2020 - 06h00

Pedro Nery Bersan*

A maternidade é sonho de muitas brasileiras e, na maioria das vezes, planejam por meses ou até anos a chegada do bebê. Apesar da felicidade e do amor incondicional pelos filhos, as alterações fisiológicas provocadas no corpo com a gestação podem gerar baixa autoestima e até depressão. As mudanças vão desde a produção e intensificação de hormônios até o aumento das mamas, expansão da pele abdominal, ganho de peso e flacidez.

Não é raro elas procurarem os consultórios para a realização de procedimentos estéticos, pouco tempo após o parto. Geralmente, querem conciliar a felicidade da maternidade com o resgate da autoestima. Entretanto, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica orienta que procedimentos invasivos – os mais procurados – devem ser realizados com o prazo mínimo de 4 a 6 meses após o término da lactação, ou seja, quem amamenta por esse tempo mínimo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), deve procurar a cirurgia estética somente dez meses após o nascimento do bebê.

Dos procedimentos mais procurados, as abdominoplastias, retirada do excesso de pele e gordura localizada, auxiliando na recuperação da firmeza dos músculos da região abdominal; as lipoaspiraçãoes, que nada mais é que a remoção do excesso de gordura localizada; as lipoabdominoplastias, a combinação da retirada do excesso de gordura e do excesso de pele e flacidez; os liftings de mamas, também conhecido por mastopexia com o reposicionamento da aréola e do tecido mamário, retirando o excesso de pele para um novo contorno às mamas e, por fim, as mamoplastias de aumento e redutora para aumento das mamas com prótese de silicone ou enxerto de gordura, dando forma e alterando a textura das mamas e, no caso das redutoras é a redução do tamanho e volume das mamas.

As mulheres que mais procuram a mediata cirurgia no pós-parto são aquelas que engravidaram após os 35 anos, cujo organismo já não contribui tanto com a volta do corpo anterior somente com dietas e atividades físicas.

É importante ressaltar que qualquer procedimento estético sem os cuidados necessários, principalmente sem o tempo mínimo, acarreta consequências indesejadas, desde o aumento de chances de desenvolvimento de uma embolia ou trombose, até o resultado não ficar como o esperado. A situação é decorrente da gestação e parto provocarem alterações hormonais e inchaços no corpo e as intervenções fora do momento certo, aliadas a essas alterações, contribuem com a transformação de um procedimento simples em algo mais complexo. 
Outro fator a ser analisado pela mãe, antes da cirurgia plástica, é a necessidade de cuidados que também terá no pós-operatório. O bebê exige cuidados especiais, tanto quanto os cuidados após a realização da cirurgia. É essencial a mãe ter apoio da família nos cuidados com ela e o bebê.

O mais importante, antes da decisão de fazer ou não uma cirurgia estética, é procurar orientação de um profissional qualificado para conversar sobre os prós e contras de cada um dos procedimentos. É crucial também que a mãe saiba seu real valor nesse momento, pois mãe é mãe e, independentemente da aparência no pré ou pós-parto, sempre será a mais bonita e mais importante para seus filhos.

*Cirurgião plástico do Hospital Madre Teresa e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica

 

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