Transformar o ordinário em extraordinário

Opinião / 12/06/2021 - 06h00

Mauro Condé*

“A pintura é poesia sem palavras”. Voltaire

Acabo de voltar de uma viagem rumo ao conhecimento, usando como meio de transporte excelentes livros sobre artes.

Eles me levaram para um ateliê de pintura na cidade holandesa de Delft, no ano de 1650, onde fui recebido pelo famoso pintor Johannes Vermeer, a quem fui logo pedindo:

Ensina-me algo que eu ainda não saiba e tenha o poder de mudar a minha vida para melhor.

- Desenvolva olhos de lince para enxergar além do óbvio visível aos olhos.

Vermeer foi um dos maiores artistas da história de todos os tempos.

Ele deixou um legado secular, cujas obras já duram quase 400 anos.

Vivemos atualmente num mundo saturado pelo falso glamour provocado pela superficialidade das redes sociais.

O curioso é que cerca de quatro séculos atrás, Vermeer foi um dos primeiros a fazer uma crítica social sobre a necessidade de realmente focarmos nossas energias e nosso entusiasmo em coisas que genuinamente mereçam prestígio.

Ele usou o seu trabalho de forma magistral para chamar a atenção para o fato de que o extraordinário pode estar escondido dentro das coisas ordinárias do cotidiano.

Vivemos num mundo que valoriza o superlativo, os heróis com seus feitos, suas posses e suas conquistas.

E esquecemos que precisamos de muito pouco para sermos mais felizes.

Vermeer provou que a felicidade reside nas coisas mais simples da vida.

Desafiou a sabedoria convencional dos artistas da época ao basear suas pinturas em imagens de pessoas comuns, realizando atividades rotineiras em cenários simples.

Uma das suas pinturas que eu mais adoro revistar é “A leiteira”. de 1657 (pesquise-a na internet para confirmar a sua beleza).

Pintar mulheres serviçais, preparando o pão e o leite, não tinha apelo nenhum para o mundo das artes numa época que valorizava afrescos ornados com celebridades em ambientes de luxo.

Vermeer viu numa doméstica despejando o leite numa leiteira uma cena que registrou para a posteridade.

Ele viu o que ninguém viu e retratou sua visão transferindo o glamour do opulento para o que de mais simples e humilde havia na vida, nem por isso de menor valor.

Em tempos de pandemia, a arte pode funcionar como um bálsamo contra o stress, o tédio e a monotonia.

Procure relaxar visitando museus e obras de arte, de forma gratuita pela internet.

Visite as obras Vermeer e sinta como o menos na verdade vale mais.

*Palestrante, Consultor e Fundador do Blog do Maluco.
 

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