Um país contra um mosquito

Opinião / 27/12/2018 - 07h00

Estevão Urbano *


A chegada do verão pode aumentar a incidência de uma série de doenças, causando muitos danos à saúde. A verdade é que mesmo clichê, A prevenção é o melhor remédio” e vale muito ser seguida. 
As arboviroses são doenças causadas por picadas de insetos e justamente são as que mais requerem cuidados neste período quente e chuvoso. 

A crescente proliferação do mosquito transmissor do Aedes aegypti favorece a ocorrência de dengue, chikungunya e zica. Conforme o Ministério da Saúde, Minas Gerais tem grande probabilidade de surtos, pois já são 353 municípios em situação de alerta ou risco.

As três doenças têm sintomas comuns como febre, mal-estar, falta de apetite, dores no corpo e nas articulações, podendo ser autolimitadas e os sintomas desaparecerem em alguns dias ou evoluírem para formas mais crônicas e graves, sendo diferentes entre si.

A dengue, por exemplo, tem as hemorragias como forma mais severa que leva a óbito por choque hipovolêmico e hemorragia. 

A chikungunya apresenta as mais diversas manifestações articulares, como dores e inchaços, podendo ser incapacitantes e durar anos, demandando longos tratamentos com medicamentos e fisioterapias. 
A zica permite a transmissão intraútero do vírus materno para o feto, levando à microcefalia.

O Ministério da Saúde divulgou os números das notificações até 3 de dezembro e a dengue tem 241.664 casos, mais de 9 mil casos a mais em relação a 2017; a chikungunya com mais de 84 mil pessoas notificadas e a zika com pouco mais de 8 mil diagnósticos.

Apesar dos números apresentarem certa redução, vale lembrar que os criadouros do mosquito são coleções de água dentro das casas ou no entorno, sendo chamados de “peridomiciliares”. O ciclo de vida dura cerca de 60 dias e há relatos da possibilidade de infectar até cinco pessoas diariamente, sendo mais um motivo para a população ficar atenta aos cuidados necessários com atitudes que evitem a proliferação e a propagação das doenças transmitidas.

É de extrema importância a conscientização sobre essas doenças emergentes e a necessidade de eliminar os focos de criadouros. 

Também é bom compreender que somente o governo sozinho não terá condições de reduzir a incidência dos mosquitos, devido à população nas grandes cidades.

As pessoas devem se unir em uma ação cidadã para evitar criadouros de água, seja em pneus, vasos de plantas, telhas que retêm água, enfim, em qualquer dispositivo que armazene água, visando impedir a proliferação do mosquito.

Ao apresentar dois ou mais sintomas, a pessoa deve procurar imediatamente um pronto-atendimento, pois, quando tratadas no início, é possível garantir um ótimo prognóstico e controlar com medidas relativamente simples, como hidratação, repouso e analgésicos, entre outras ações. É crucial ressaltar que, em hipótese alguma, as pessoas devem se automedicar.

(*)Infectologista do Hospital Madre Teresa

 

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