Um partido sem rumo

Opinião / 06/01/2018 - 05h00

Aristoteles Atheniense*

A dança de cadeiras que ocorre no Congresso Nacional revela a falta de hombridade dos parlamentares em relação à necessidade que tem o Brasil de realizar as reformas de que carece.

O que mais impressiona é a ambivalência que medra no PSDB quanto à indispensabilidade da reforma da Previdência Social. Fica a impressão de que este partido, que contava com expressivo número de aderentes ao seu ideário político, tenha perdido toda a sua confiabilidade nos princípios que anteriormente sustentava.
Na atualidade, o PSDB foi atingido por uma facciosidade vergonhosa, renunciando à sua história, revelando o total descompromisso com a recuperação do país, num processo de cisão em que prevalecem somente os interesses individuais e partidários. 

A eleição de Geraldo Alckmin para o comando do partido é a derradeira esperança de uma recomposição que possa reagrupar os tucanos, impedindo que um grupo comungue dos mesmos propósitos que contribuíram para o desastre do governo de Dilma Rousseff.

Alckmin assume a direção do PSDB na crise mais aguda dessa legenda, cumprindo-lhe demonstrar que ela continua viva, imbuída da intenção de promover a reforma da Previdência, do ajuste fiscal e, até mesmo a reforma Política, que vem a ser a mãe de todas as inovações aguardadas.

É inconcebível que esse partido continue sem rumo e sem direção, abrigando uma ala que se autodenominou “Esquerda prá valer” em manifesto que contou com adesão de FHC, José Aníbal, José Serra e José Gregori.

Se, realmente, esse grupo está vocacionado para a “esquerda”, que então se associe ao PT, ao PISOL ou à Rede, ao invés de continuar parasitando um partido que, no passado, se caracterizava pela sua identidade aos ideais centristas.

Conforme afirmou recentemente o cardeal arcebispo de São Paulo, Odilo Scherer: “Não podemos deixar de crer que a boa política é possível. Mas é uma construção paciente, lúcida e perseverante de todos. Ela não cai do céu, nem é um produto pronto para ser consumido”. 

Essas reflexões, inspiradas nos ensinamentos de Pio XII e do papa Francisco, devem ser assimiladas por aqueles que realmente estejam dispostos a assegurar condições dignas de vida – e não de sacrifício –, que rompam com os privilégios existentes na política brasileira.

O PSDB não sobreviverá enquanto não se conscientizar da importância desses conceitos, de que se acha vergonhosamente afastado na atualidade.

*Advogado e conselheiro nato da OAB. Diretor do IAB e do IAMG.

 

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