Um tipo de café para cada tecnologia

Opinião / 08/08/2019 - 06h00

Carolina Campos Cabrini 

Seja no calor ou no frio, um cafezinho sempre cai bem. Considerada uma das bebidas mais consumidas no mundo, e tendo o Brasil como um dos maiores produtores desse grão, é cada vez mais comum ouvir falar de inovações e diferentes tecnologias ou métodos para a sua extração. 

No nosso país, quanto aos tipos mais consumidos, temos os especiais, que são feitos por café 100% arábica: são selecionados grãos sem defeitos, que têm uma doçura natural, e é usada uma torra mais branda. Já os tradicionais, os mais consumidos e aqueles que vemos em grande quantidade nas prateleiras de supermercado, são produzidos com grãos defeituosos, tem a espécie conilon misturada (espécie menos valorizada, por não ter aromas e sabores de qualidade), torra mais escura e certo amargor.

Já o método de preparo mais comum por aqui é o do café coado em filtro de papel, através do qual se obtém uma bebida mais suave. Método esse que antigamente era feito em coadores de pano, mas que foi substituído devido a problemas de higienização, por acúmulo de resíduos no coador. Nesse preparo, o tecido filtra os sólidos, mas a bebida é afetada por substâncias que ficam no pano devido a outras extrações. Ouve-se o mito de que não se deve deixar a água ferver, no entanto, a temperatura ideal da água é 98°C, sendo, portanto, aconselhado que se espere a fervura para uma melhor extração das características dos grãos. Nesse processo, comparado com o café expresso (café feito na máquina, onde a quantidade de pó, em relação à de água é muito maior), ao contrário do que parece, há um maior teor de cafeína.

Por se falar em cafeína, outro método com elevada concentração dessa substância é a prensa francesa. Simples e eficiente, o café é extraído por meio de pressão manual, no entanto, é necessário que nesse método seja utilizado um pó fino, para que não fique amargo e com excesso de borra. Já a cafeteira italiana, método que extrai o café pela vaporização da água, deve ter a moagem mais grossa. Se o pó for muito fino, pode acabar passando e sendo sentido na boca.

Existem ainda outros métodos, com filtros diferenciados como Kalita e V60, e outros mais modernos, como o Aeropress, cada um visando trazer mais corpo, acidez ou até mesmo doçura. O importante é saber que não existe o melhor café e, sim, o mais adequado para cada gosto ou paladar. E você, já escolheu o seu?

Professora da área de Saúde das Faculdades Kennedy e Promove, atuando nos cursos de Nutrição e Enfermagem. Graduada em Engenharia de Alimentos pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com mestrado em Tecnologia de Alimentos e Segurança Alimentar também pela UFMG

 

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