Uma tragédia após a outra

Opinião / 06/04/2019 - 06h00
Bruno Gonçalves Marciano de Oliveira*
 
O termo sustentabilidade está inserido hoje com todas as suas variantes, nos ambientes de casa, do trabalho, escolas e em muitas outras instituições, provocando nos engenheiros e arquitetos o senso de responsabilidade no momento em que esses espaços são projetados. Em meio à crise hídrica, energética e econômica no Brasil, as construções sustentáveis trazem uma série de inovações com o intuito de contribuir, de alguma forma, para a economia financeira, de energia elétrica, água, entre outros recursos. 
 
No entanto, apesar de tantos avanços no setor, o Brasil carrega em sua bagagem histórica uma série de tragédias. Incêndio em boates, em museus e em alojamentos de atletas; viadutos e ciclovias que desabam ou racham, barragens que se rompem, entre tantos outros incidentes marcados pelo fim da vida de muitas pessoas e sofrimento de tantas outras que guardam o sentimento amargo da impunidade e a sede por justiça. 
 
Muitas vezes, os sentimentos que tenho variam entre o orgulho de acompanhar a evolução da engenharia, como o caso da utilização do BIM (Building Information Modelling), mas também de tristeza por causa da irresponsabilidade e da falta de fiscalização em muitas obras e projetos. 
 
Para obter resultados efetivos no setor, nossos profissionais devem estar atentos, desde a concepção dos empreendimentos, ainda durante os estudos de viabilidade do projeto, até a entrega, uso e operação. Além disso, a ética deve estar atrelada em todas essas etapas. Mas, infelizmente, somos tomados pela percepção de que a injustiça e a impunidade ainda prevalecem em muitos casos. Se voltarmos no tempo, por exemplo, o ideal não seria que as mineradoras aprendessem uma lição com as tragédias? Pelo visto não. E nada melhor que uma nova catástrofe para esquecermos a outra que ocorreu.
 
E assim tocamos a vida, pagando alto pelo nosso jeitinho brasileiro de ser, pela nossa forma desumana e que só pensa em levar vantagem em tudo. Não podemos esquecer que a responsabilidade é a base da democracia moderna. E, no Brasil, parece que muitas vezes isso não existe, já que as recorrentes tragédias só reafirmam o descaso de muitas instituições e do próprio governo com as vítimas e sociedade geral ao ignorar a prevenção desses acidentes. 
 
Na data em que comemoramos o Dia da Engenharia, 10 de abril, espero que o desenvolvimento tecnológico que abarca nosso mercado e nossa área nos aproxime de um país mais justo, preocupado com o meio ambiente e também com os valores enquanto seres humanos. Para isso, a indústria precisa mostrar sua importância através da excelência e alto desempenho das atividades na construção. Só assim mostraremos que o segmento é responsável ao identificar, de fato, quais são os riscos em potencial e como os profissionais devem agir para evitar as tragédias. 
 
(*)Presidente da Abrasip-MG 
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