Validação Emocional

Opinião / 17/06/2021 - 06h00

Tatianna de Sant’Ana Murta Penaforte*

Hoje eu quero conversar com vocês a respeito de algo que tenho aprendido sobre a validação das emoções das minhas filhas aqui em casa. Em especial compartilho aqui algumas experiências com a Sophia.

Sophia: mãe, estou cansada e com sono!

Eu: Mas por que cansada? Você ontem dormiu mais cedo? Com certeza não está cansada.

Sophia: Mãe, deixa eu assistir minha aula com a coberta. Estou com frio.

Eu: Frio? Hoje está tão quente.

Sophia: Não. Estou com frio.

Eu: Não é possível Sô! Olha o dia como está quente!

Sophia: Mãe, a professora não me escuta quando eu chamo várias vezes na aula online.

Eu: Não fica assim, filha. Tenha paciência. Ela vai te deixar falar. São muitos colegas na sala. Levanta a mão (na sala de aula virtual) e espera sua vez que ela vai te chamar.

Sophia: (chorando): Mãe, eu não quero fazer o “para casa”.

Eu: Você está chorando por isso? Ahhh não. Isso não é motivo pra chorar. Precisa valorizar os seus estudos.

Essas foram algumas das falas, entre tantas outras, da Sophia neste último ano e percebam que em cada resposta minha, na tentativa de acertar, invalidava grande parte dos seus  sentimentos. Era como se pedisse pra ela não confiar nas suas próprias percepções e sim nas minhas. A verdade é que a contínua negação dos sentimentos pode deixar as crianças confusas e irritadas. Infelizmente também as ensina a não saber quais são seus sentimentos e a não confiar neles.

Quando nós, adultos, estamos magoados ou aborrecidos, a última coisa que queremos ouvir é conselho, teorias ou o ponto de vista dos outros. O que mais queremos é que alguém reconheça nosso sofrimento e nos dê a chance de falar o que está incomodando, até nos sentirmos menos aborrecidos e confusos e capazes de lidarmos com nossas emoções. Para os nossos filhos não é diferente.

Eles também conseguem enfrentar sozinhos e até resolverem seus problemas se trocarmos os nossos sermões ou a negação dos seus sentimentos por uma escuta atenta preferencialmente em silêncio. Podemos também reconhecer e nomear seus sentimentos: “Parece que você está chateada com toda essa lição de casa, né, Sophia”? “Nossa! Isso deve ter sido frustrante”. “Eu não estou com frio, mas parece que você está”.

Tenho lido um excelente livro que trata da prática da validação emocional: “Como falar para o seu filho ouvir e como ouvir para o seu filho falar”, de Adele Faber e Elaine Mazlish. Desde a leitura do livro, que apresenta estratégias bem práticas, passei a escutar mais, sem tentar aconselhar, corrigir ou negar os sentimentos como se estivessem inadequados. O resultado para a Sophia e pra mim foi muito satisfatório, o que era de se esperar porque as emoções quando são suprimidas provocam ainda mais instabilidade emocional. Percebi que as emoções desagradáveis que Sophia sentia, acolhidas numa abordagem mais empática, iam diminuindo naturalmente após um breve período. Também percebi que ela se sentia mais acolhida e amparada e com maior capacidade de resolver aquele conflito sozinha.

Experimente esses dias acolher e escutar seus filhos, sem julgamento e reflita sobre essa experiência.

*Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental e professora de curso de psicologia das Faculdades Promove

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários