Vilão da mesa e da saúde

Opinião / 02/01/2021 - 06h00

Bruna Galvão Marinho*

Geralmente, na lista de Metas para o Ano Novo, as pessoas sempre prometem uma “alimentação mais saudável”. Mas, com a falta de tempo, a rotina desgastante e a praticidade na cozinha, os alimentos ultraprocessados - gordurosos, pré-fabricados, condimentados, chocolates e doces – são alguns dos motivos para não se cumprir a promessa de Reveillon. Eles são os grandes vilões da mesa e da saúde do brasileiro. As doenças crônicas, associadas à alimentação inadequada, crescem no Brasil, como obesidade, diabetes e hipertensão. A manutenção de uma refeição apropriada é a recomendação para o fortalecimento do sistema imunológico e uma vida mais saudável.

A última pesquisa do Ministério da Saúde – Vigilância de Fatores de Risco e proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2019) - aponta que 7,4% da população têm diabetes, 24,5% têm hipertensão e 20,3% estão obesos. Desde o início do monitoramento há 13 anos, a obesidade foi a que apresentou maior crescimento (72%), significando que dois em cada dez brasileiros estão obesos. Se considerado o sobrepeso, metade dos brasileiros está nesta situação (55,4%).

Um dos motivos desse aumento é o consumo de alimentos ultraprocessados. Conforme a Pesquisa de Orçamentos Familiares 2020, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 18,4% das calorias totais disponíveis para ingestão nos domicílios brasileiros provêm dos ultraprocessados. O Guia Alimentar para a População Brasileira, feito pelo Ministério da Saúde, define esses alimentos como aqueles que passam por maior processamento industrial, no qual são adicionados outros ingredientes, como conservantes, edulcorantes ou intensificadores de cor, possuindo quantidades excessivas de açúcar e gorduras não saudáveis.

A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia – Regional Minas Gerais (SBEM-MG) – reforça que uma alimentação de qualidade, associada à atividade física, é fundamental para evitar muitos casos de obesidade, diabetes, hipertensão e problemas cardíacos. É importante fazer escolhas alimentares adequadas, optando por alimentos frescos e variados, ricos em vitaminas, minerais, fibras e compostos bioativos, sem se esquecer de uma boa hidratação.

Uma alimentação mais colorida, variada, frugal e rica em verduras, estimula o sistema imunológico. O arroz e o feijão, por exemplo, formam uma dupla perfeita, preenchendo uma boa parte das necessidades do brasileiro. O prato combinado com verduras, legumes e uma carne magra, seja de boi, peixe ou frango sem a pele, apresenta, praticamente, tudo que se precisa em uma refeição completa.

Os alimentos industrializados são menos nutritivos, mais calóricos, apresentando maior percentual de gorduras, açúcares, sal, aditivos e conservantes, contribuindo para o surgimento de doenças crônicas e inflamatórias.

Ter a consciência sobre o que está sendo ingerindo e quais as consequências disso é fundamental para uma vida saudável e para cumprir a promessa de Ano Novo. “Descasque mais e desembale menos” – uma atitude simples que fará toda a diferença para manter a saúde e a qualidade de vida neste ano que se inicia.

*Diretora da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia - Regional Minas Gerais (SBEM-MG)

 

 

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