Zema dá show

Opinião / 07/04/2020 - 06h00

Aristóteles Drummond*

Toda crise proporciona oportunidades. Não só econômicas, mas políticas também. Além do ministro Mandetta - hoje um nome respeitado nacionalmente -, o governador de Minas, Romeu Zema, cresce muito com a reunião da semana passada dos governadores do Sudeste com o presidente da República. E, no mesmo dia, deu um verdadeiro show em entrevista ao novo canal de notícias CNN Brasil.

Zema revelou, enfim, sua mineiridade. Foi hábil, justo, firme, respondendo de maneira afirmativa e franca a todas as perguntas, e soube reafirmar sua visão de mundo e de Brasil. Em nenhum momento se percebeu um objetivo eleitoreiro e muito menos falta de convicções políticas e pessoais.

No dia em que Bolsonaro amargava críticas de tudo quanto é lado pelas declarações infelizes em desnecessário pronunciamento, Zema afirmou ter boas relações com o presidente, embora preferisse obedecer às instruções da OMS no que toca ao combate à pandemia. E considerou a reunião positiva.

O governador reafirmou que é contra a existência do Fundo Partidário, lembrou que fez campanha e se elegeu sem ele, que os salários dos servidores que ganham mais podem ser cortados por algum tempo, em percentual a ser definido, e condenou quem busca o serviço público para ganhar dinheiro. Foi afirmativo. Mostrou o equilíbrio das decisões no estado, como a de permitir que restaurantes de estradas abram.

Em outro momento, admitiu que as medidas restritivas devem ser tomadas com maior rigor nas zonas mais afetadas. Mostrou, aí, a visão pragmática do empresário de bom senso.

Talvez tenha saído desta reunião virtual convencido de que faz parte da boa gestão pública uma boa articulação e comportamento político, marca, aliás, de Minas Gerais. Isso por reconhecer que temos um bom governo, sentindo apenas que a comunicação política e com a sociedade é modesta. É o que se pode perceber em quem até aqui tem pecado justamente pela falta de um assessoramento de qualidade ou por não ouvir os interlocutores certos que tem tido. Transmitiu não lhe faltar realismo e humildade na busca de bons resultados para sua gestão. E começaria pelo diálogo na Assembleia e principalmente na bancada federal no Congresso Nacional. Aliás, Minas cresceu nesta interinidade do senador Antônio Anastásia na Presidência do Senado.

Esta mudança na postura do governador pode ser decisiva para o sucesso de seu governo. Com a vantagem de Minas ser rica em quadros e ter tido na política boas lideranças empresariais desde sempre. 
*Escritor e jornalista

 

 

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