Cadê o público da Copa América, Conmebol?

Álvaro Damião / 17/06/2019 - 21h41

Os jogos da Copa América no Brasil começaram na última sexta-feira (14). Até o momento já foram seis partidas, goleadas do Brasil e Uruguai e por aí vai. O que me chamou a atenção em todos estes jogos, exceto as partidas da Seleção Brasileira e da Argentina, foi o baixo público nos estádios. 

No último domingo, por exemplo, estive no Mineirão para transmitir a partida entre Uruguai e Equador, e o que vi nas arquibancadas foi um público típico de Campeonato Mineiro. De acordo com a organização, foram 13.611 torcedores pagantes. Curiosamente, o público presente não foi divulgado. Tendo como base o público divulgado, o total representa apenas 21,9% da taxa de ocupação do Gigante da Pampulha. Uma tristeza para um jogo que tinha no gramado os ídolos Cavani e Suárez. 

Outro ponto que me chamou muita atenção é a disparidade entre a renda e o público, no jogo entre Brasil e Bolívia, no Morumbi. Uma renda de mais de R$22 milhões para um público de 46.342 pagantes. O que causa estranheza é que se dividirmos a renda total pelo público anunciado, temos um valor médio de R$ 485 por ingresso. Vale ressaltar que isso não condiz com a verdade, tendo em vista que havia quatro categorias com preços diversos para esta partida. Os preços variavam de R$ 190 a R$590. Pior: o Comitê Organizador Local (COL) havia noticiado dias antes que os ingressos para este jogo estavam esgotados. Mas ora, onde foram para os outros 20 mil torcedores? Entraram em alguma espécie de buraco negro ou foram abduzidos? 
Para a partida de hoje, entre Brasil e Venezuela, o COL também informou que os bilhetes estão esgotados! Vamos aguardar! Talvez os 20 mil desaparecidos apareçam por lá.

Venho dizendo repetidamente que a Conmebol não entende nada de futebol brasileiro e prova disso são esses preços absurdos dos ingressos e a baixa procura. É inacreditável imaginar que os diretores dessa confederação não tinham ideia que os preços estavam fora da realidade brasileira. Ah! Vale ressaltar que estas partidas que já aconteceram foram em dias acessíveis, como finais de semana. Agora imagina o público em dias úteis, com as pessoas trabalhando normalmente? Sinceramente? Que falta de organização. Que falta de consideração. 

A Conmebol precisa urgentemente repensar seu método de trabalho. É imprescindível que entendam o mercado brasileiro. Caso contrário, a Copa América será apenas mais um fracasso dessa confederação que está acabando com a graça do futebol sul-americano. 

Acorda, Conmebol! 

 

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