Clássico: mais do mesmo

Álvaro Damião / 29/01/2019 - 08h00

Foi um clássico que poderia ter sido diferente? Poderia.

Infelizmente tudo aconteceu como sempre: polêmicas e mais polêmicas. Até quando teremos paciência para isso? Sinceramente não sei. O torcedor já está perdendo a graça por um dos maiores clássicos do país e o motivo é sempre o mesmo: a picuinha entre os dirigentes. Um fala daqui, o outro rebate de lá. Enquanto isso, atleticanos e cruzeirenses ficam reféns de tantas acusações e tantos “dedos” apontados.

Em campo, nada diferente dos últimos anos. Erros e acertos da arbitragem. Torcedores apoiando, comemorando. E por falar em comemoração, conseguiram criar uma polêmica até mesmo em uma comemoração de gol. Falta um pouco de sensibilidade e racionalidade. De todas as partes!

TODAS!

Era um dia triste, estávamos todos, sem exceção, consternados com a tragédia de Brumadinho. Por ali não foi apenas uma barragem que se rompeu.

oram vidas, sonhos e famílias. Talvez a razão mais lógica e sensata era ter adiado o jogo, mas precisamos entender que nada é tão fácil assim. Havia clima para jogo? Não. Ele precisava acontecer? Claro! E digo claro, uma vez que o pedido do adiamento foi feito no sábado.

Eram mais de 45 mil ingressos vendidos, caravanas de interior já estavam a caminho de Belo Horizonte. Mas era apenas isso. O calendário? Sim! O mais contestado por todos. A única data que poderia ser encaixada seria no sábado de Carnaval e aí há dois fatores que precisamos analisar.

Fato 1: O Cruzeiro joga durante o carnaval pela Copa Libertadores.

Fato 2: A Polícia Militar de Minas Gerais não conseguiria ter efetivo suficiente para garantir a segurança dos torcedores, já que Belo Horizonte promove um dos maiores carnavais de rua do Brasil. São aguardadas milhões de pessoas. Ou seja: não havia solução. O clássico precisava acontecer.

E aqui, cabe ressaltar algo. Todos os torcedores que estavam no Mineirão no último domingo não são insensíveis. Todos estavam abalados pela tragédia, e o fato de comemorar um gol e apoiar o time não minimiza em nada a dor que estávamos sentindo.

Haviam torcedores por ali que estavam com amigos desaparecidos na lama. Muitos fizeram doações de alimentos e água. Por pouquíssimas vezes em toda a minha vida de repórter eu vi o Mineirão inteiro calado no minuto de silêncio em homenagem às vítimas de Brumadinho.

Domingo o gigante ficou mudo! Faltou solidariedade? Faltou sensibilidade? Claro que não. Sejamos sensatos.

Para o próximo clássico desejo que as coisas se ajeitem. Que as diretorias se entendam. Que nós possamos compreender o tamanho da responsabilidade da fala de um dirigente perante o seu torcedor. O clube precisa ser racional, uma vez que o torcedor já é passional o suficiente. O exemplo vem de cima!

Espero que tenhamos aprendido algo com o clássico, já que com a tragédia de Mariana, nada aprendemos. 

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