Precisamos tratar o futebol com mais responsabilidade

Álvaro Damião / 12/02/2019 - 07h31

Ainda não está fácil assimilar tudo que anda acontecendo.  Ainda choramos a tragédia de Brumadinho e fomos surpreendidos com mais uma, dessa vez no esporte. O incêndio que deixou dez mortos no Ninho do Urubu, na última sexta (8) nos tirou a graça do futebol nos últimos dias.

Eram apenas crianças que sonhavam, literalmente, em ter um futuro em um dos maiores clubes do mundo. Eram crianças que estavam ansiosos pela primeira partida no Maracanã. Eram apenas crianças que desde cedo aprenderam a fazer escolhas. Precisaram escolher entre ficar perto da família e dos amigos, ou se mudar para o Rio de Janeiro e tentar a sorte no mundo da bola. Eram jovens que conviviam com a saudade de casa e se apegavam aos companheiros de alojamento para suprir toda a saudade da cidade natal.

Quem trabalha há muitos anos no futebol, como eu, sabe o que esse esporte faz na vida das pessoas. A bola rola e leva sonhos, objetivos. Vestir a camisa do Flamengo ia muito além das cores. Envolve muito mais! É um plano de vida. O sonho de comprar a casa própria da mãe, de ir jogar na Europa, como o Vinicius Junior. O fogo consumiu os sonhos. Terminou com vidas. Encerrou ciclos. Parou a bola. Derrubou lágrimas. Deixou marcas nos sobreviventes.

A maioria das famílias é humilde demais para reconhecer que deixar aqueles jovens dormindo em um container é algo surreal. Inaceitável. Como pode um clube como o Flamengo, que gasta R$23 milhões na reforma no Ninho do Urubu, permitir que os jogadores de base dormissem em um contêineres que não tinham permissão da Prefeitura do Rio de Janeiro? Como pode? Como pode um clube receber 31 multas por falta de alvará e nada ser feito? Me expliquem! Ou melhor, expliquem isso para os familiares das vítimas.

Há muita gente que precisa dar explicações. Clube, Prefeitura, Bombeiros. Todos precisam ser cobrados! Não dá para aceitar que um clube com a estrutura do Flamengo, deixar jovens sonhadores perderem a vida por pura negligência.

O futebol não pode ser visto apenas como uma máquina de ganhar dinheiro. É preciso ter mais responsabilidade. Não é só um momento de lazer! Futebol é inclusão social! Ele transforma vidas! Muda a realidade de muitos atletas! Não podemos mais abaixar a cabeça pra tudo que os grandes clubes impõe para estes pequenos sonhadores que são seduzidos pela visibilidade do eixo e pelas cores das camisas.

Vamos tratar o esporte com mais atenção, mais cuidado, mais responsabilidade!  Que os culpados sejam severamente punidos e que os demais clubes sejam fiscalizados!
Até a próxima!

 

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