Raio-X tático do clássico de quinta

Cadu Doné / 10/07/2019 - 06h29

Em termos táticos, de escalação, pensando no clássico de quinta, o Cruzeiro vive uma espécie de dilema: não há um jogador claramente confiável, hoje, para começar como segundo volante. Lucas Silva saiu. Com a contusão dos dois laterais direitos, Romero deixará de ser opção pelo meio. Grosso modo, restam duas alternativas: Cabral, que fez jogos fraquíssimos antes da parada para a Copa América – e mesmo num âmbito mais geral poderia gerar dúvidas por sua lentidão –, e Jadson, que ainda não teve sequência pela Raposa – quando atuou, trabalhou majoritariamente como uma espécie de "dublê" de Robinho (armador que sai da direita para construir por dentro). Confesso que se me encontrasse no lugar de Mano Menezes estaria na dúvida. Por mais que em outros contextos tenha discordado da opção do comandante celeste por Cabral, com as mencionadas circunstâncias atuais, acredito ser no mínimo mais compreensível se ele novamente escalar o argentino. Olhando de fora, um tanto por eliminação, até tendo a preferir Jadson – mas permanece, num grau elevado, a sensação de que, por ora, não há muito para onde correr...

Com Romero à frente de Henrique, é bom que se diga, o Cruzeiro até vinha enfrentando dificuldades pela ausência de um meio-campista que opere melhor ofensivamente de área a área, infiltre um pouco mais; ainda assim, mesmo considerando esse defeito, quando Orejuela ou Edílson voltarem acredito que a melhor solução para Mano será utilizar "El Perro" como segundo volante.   

Recentemente, em alguns jogos, tem faltado ao Cruzeiro velocidade do meio para frente. Para tentar dirimir esse defeito, e ao mesmo tempo sanar a dificuldade destacada no primeiro parágrafo, talvez uma alternativa seja trazer Robinho para a função de segundo volante e abrir, pelas pontas, Marquinhos Gabriel e Pedro Rocha. Restaria saber se Robinho teria condições físicas para executar um trabalho de marcação mais pesada pelo centro, e se Pedro Rocha já aguentaria 90 minutos.

Pelo lado do Galo não devemos ter surpresas na escalação. No setor de criação de jogadas, todavia, é interessante notar que três jogadores provavelmente se posicionarão de formas diferentes daquelas com as quais os alvinegros se acostumaram. Luan, historicamente associado ao trabalho de meia-atacante pela direita, deve jogar mais centralizado – entre outras coisas, talvez pela dificuldade física para recompor com assiduidade. Cazares, usualmente visto como um camisa 10 para atuar com liberdade por trás do centroavante – foi meio-campista de um 4-1-4-1 com Thiago Larghi –, com Rodrigo Santana vem ocupando mais o lado esquerdo. Por fim, Chará, que em Minas foi escalado na maioria das vezes pela ponta canhota, deve fazer, na quinta, o corredor direito – tarefa que, diga-se de passagem, de acordo com seu bom histórico no Junior Barranquilla, lhe é mais compatível.

Caso confirmado esse posicionamento vislumbrado para o Atlético, o maior ponto de interrogação estaria na capacidade de Cazares para recompor, ajudar Fábio Santos no combate. Algo similar era vivido pelo Cruzeiro ano passado para escalar Thiago Neves e Arrascaeta juntos. Mano conseguiu colocar o uruguaio para entregar mais defensivamente. Talvez Rodrigo Santana possa fazer o mesmo com o habilidoso equatoriano – que poderia enxergar um cenário em que tenha cobranças para auxiliar mais sem a bola para quebrar um pouco sua imagem de atleta talentoso, porém indolente.

No que tange ao time titular, uma das principais incógnitas no Galo antes da parada para a Copa América estava na função de primeiro volante. Adilson ou Zé Welison? Nenhum dos dois convencia muito. Como o primeiro não treinou nos últimos dias, o segundo deve ser titular na quinta. Ramón Martínez pode ser a solução desse impasse em médio prazo. Quem sabe receba chance contra a Chapecoense e, dependendo da situação, ganhe força para o segundo jogo contra o Cruzeiro. Mas para esta quinta, pelo timing, fica complicado pensar nele para começar...    

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