Fritura governista

Coluna Esplanada / 12/02/2019 - 13h00

Além de críticas de colegas do PSL e partidos aliados na Câmara, o líder do Governo, deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO), passou a ser alvo de queixas de ministros do alto escalão do governo Jair Bolsonaro. Dizem, nos bastidores, que o líder, neófito na política, não tem dado devida e ágil atenção aos pedidos e demandas das pastas. O que preocupa o Governo às vésperas do envio do texto da reforma da Previdência à Câmara, que precisa amealhar 308 votos, no mínimo, para a PEC ser aprovada. 

Venha cá
As queixas chegaram ao chefe da Casa Civil, Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), que convocou Vitor Hugo ao Planalto ontem para tentar aparar as arestas. 

Volta pra lá

O líder, escolha pessoal de Bolsonaro, deixou a Presidência com conselhos e a incerteza em torno da permanência no cargo. O Palácio já tem uma lista com nomes.

Calendário riscado

O Governo já trabalha com a previsão de aprovação da reforma, no melhor dos cenários, para o segundo semestre. 

Mundo de olho

O mais recente relatório da consultoria multinacional Delloite, para investidores estrangeiros de 150 países (documento distribuído em inglês), cita o Brasil sem destaque, mas com a devida importância no cenário político-econômico. Os analistas avaliam o momento de otimismo somado à cautela: a economia, em recessão nos últimos anos, vai ser retomada; Mas preocupa o discurso, segundo eles, “protecionista e isolacionista” do presidente Jair Bolsonaro.

Mundo de olho 2

A Delloite também cita as 250 grandes empresas globais que movimentaram mais de US$ 4 trilhões, juntas, em 2018. Entre elas, as únicas brasileiras citadas para investidores - é como uma dica para compra de ações - são Lojas Americanas, Magazine Luiza e Drogasil, a maior rede de drogarias do Brasil.

Assim, pode
O presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, que há alguns meses não coloca mão em maçaneta de portas de carro e gabinetes para entrar, com café da manhã feito por serviçais, acha que brasileiros podem trabalhar até os 80 anos. 

ESPLANADEIRA

. Ricardo Boechat foi meu primeiro chefe, no antigo “Jornal do Brasil”, no início dos 2000. Tomei coragem de entrar na sua sala certa tarde na redação da avenida Rio Branco, sugeri uma nota exclusiva. Ele atento ao estagiário com voz trêmula (eu, assistente de conteúdo, um cargo qualquer entre estagiário e repórter). Demorei uns oito minutos para explicar a notícia, e ele, maestro, conseguiu resumir tudo em duas linhas no dia seguinte. Lembrou que a boa nota de coluna tem que ter duas linhas, para mostrar que você de algo. Até hoje não aprendi. Meses depois, emplaquei – por decisão dele – uma matéria de capa no JB, com minha assinatura (ter o registro na capa era como ser lembrado pelo técnico da Seleção Brasileira de Futebol numa convocação). Durante cinco meses, eu (o assistente de conteúdo ainda) apurara, por telefone, uma história sobre ‘O Dia do Orgasmo de Esperantina’ (PI). Encontrei dona Raimunda, a prostituta que deitou com 5 mil homens; o dono da farmácia; que aumentou a venda de preservativos, o dono do motel, que comprou a primeira banheira de hidro para a data; o vereador corno que estimulou a lei. No dia seguinte, Boechat gostou da reportagem, mandou a direção me contratar, e tornei-me repórter oficialmente. Anos se passaram, vim para Brasília, assinei por quatro anos o Informe JB, pelo qual ele passara. Eu o lembrei disso certa ocasião por e-mail. Uma reverência, apenas. Fato é que em um acidente ridículo, inimaginável e que renderia uma nota surreal para sua coluna (já viram uma carreta atropelar um helicóptero desgovernado?), o Brasil perdeu a sua mente brilhante do jornalismo contemporâneo. Boechat era inquieto, elétrico, apurador – era capaz de tirar do bolso um bloquinho e conversar com um ‘flanelinha’ para pegar exclusiva. Tratava a todos sem distinção. Um olhar atento do cotidiano. Todos nós – repórteres ou você leitor, telespectador, ouvinte de rádio – temos uma história com ele. Vai fazer falta demais em nossas vidas cotidianas. 

 

 

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