A 'ótima' geração belga: a mistura étnica que construiu a melhor seleção do Rode Duivel

Direto da Rússia / 04/07/2018 - 06h10

Na redoma da Duma - congresso russo - a deputada Tamara Pletnyova ergueu a voz para ganhar o mundo. Levantou a bandeira contrária ao relacionamento sexual de russas com estrangeiros. Para que crianças mestiças não sofram no futuro. Sofrimento que os belgas conhecem bem, mas que a mistura de etnias fez surgir a "ótima geração" a defrontar o Brasil na Copa do Mundo.

É uma colheita rara e sagrada de jogadores nascidos no começo dos anos 1990 que carregam também marcas de outras nações no DNA. O sofrimento para ganhar do Japão foi marcado com atuações importantes de "estrangeiros" na Bélgica.

Se a Seleção do Zaire - que jogou a Copa de 1974 - existisse no circuito da Copa do Mundo, agora como Seleção do Congo, poderia pedir os serviços de Vicent Kompany, Boyata, Romelu Lukaku e Batshuayi. Um quarteto de respeito para quem jamais se classificou depois daquele Mundial da Alemanha. 

Os quatro, dois zagueiros e dois centroavantes, assim como o reserva Youri Tielemans, são filhos de pais congoleses e alguns deles, de mãe belga. Seus antepassados nasceram em território dominado e colonizado pelos belgas. Preconceito vivenciado pela cor da pela escura já foi exposto pelos personagens. Lukaku mais recentemente, em texto impactante no "Player's Tribune".

Ainda na ligação africana, dois dos heróis da virada da Bélgica para cima do Japão, e que proporcionou este encontro contra o Brasil. Fellaini, o grandalhão do cabelo black power tingido de loiro, é de origem marroquina. Assim como Nacer Chadli, o autor do gol aos 49 minutos do segundo tempo, após corta luz do congolês Lukaku.

A convocação belga ainda abriu mão de uma estrela mestiça: Radja Nainggolan, volante contratado pela Inter-ITA, filho de indonésio com belga

Quem também utiliza o estilo de cabelo afro é Axel Witsel. Cabelo crespo, olhos claros, e a Martinica nas veias. Na mesma posição do volante, Dembelé tem ligações com Camarões. Até quem não expressa a diferença étnica da Bélgica nos traços físicos carrega bagagem genética de outras nacionalidades.

Kevin De Bruyne, maior garçom do Campeonato Inglês, nasceu do ventre natural do Reino Unido, apesar de sua mãe ter nascido mesmo no pequeno país de Burundi, na África. O confronto contra o Brasil só foi possível porque os belgas ganharam da Inglaterra e foram primeiros do grupo. A vitória foi nos pés de Adnan Januzaj, filho de pais kosovares, com linhagem na Sérvia e Albânia.

A migração europeia também fez surgir Yannick Carrasco, ex-estrela do Atlético de Madrid, titular na Bélgica e filho de português com espanhola. E no comando desta torre de Babel vermelha, amarela e preta está o espanhol Roberto Martínez, com o auxílio do carrasco brasileiro, nascido na França e com origens na Antilhas Francesas, Guadalupe e Martinica, um tal chamado Thierry Henry.

Amarelo, preto e vermelho: a Bélgica é uma mistura de cores e etnias
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