Adeus em Kazan: lições de sabedoria e 'tentativa-erro' para uma nova busca pelo hexa

Direto da Rússia / 07/07/2018 - 20h35

Na trajetória de ônibus entre o Kremilin de Kazan e o estádio de Copa do Mundo, um bêbado russo puxa a camisa do voluntário para ser traduzido em inglês ao torcedor brasileiro exprimido entre uma senhora e o trocador que verificava o bilhete com um leitor eletrônico. "Brasil vai ter dificuldades hoje...", dizia, num sotaque de vodka.

Faltavam seis horas para a Seleção Brasileira iniciar o fim da estadia na Rússia. Eliminada na previsão do etílico profeta, que errou só na previsão da saída via disputa de pênaltis. O empate quase ocorreu no final. O hexa, ou a tal 'hexabilidade' não se encaixou na 'titebilidade' de um time que não tomava gols. Foram dois numa rajada.

Agora, só no Catar. Mas, novamente, Kazan é capaz de trazer lições. Pertencente à República do Tartaristão, a cidade milenar (1013 anos) só foi conquistada pela Rússia após a terceira tentativa do czar Ivan, o Terrível. A Neymar, aos 26 anos, a segunda tentativa esbarrou na parede. Ou melhor, nas pontas dos dedos do gigante e igualmente terrível Thibaut Courtois, goleiro que era jogador de vôlei na Bélgica até os 12 anos.

A terceira tentativa do camisa 10 virá em quatro anos. Ainda tem idade para disputar ao menos mais dois Mundiais. Sorte que Lionel Messi e Cristiano Ronaldo não gozam. O craque do Barcelona, inclusive, também foi despachado da Rússia em Kazan.

Tite, que assumiu a Seleção Brasileira durante a transição de ciclos de Copa - perdeu dois anos de tempo de trabalho com Dunga no comando - também tem em quem se espalhar na cidade símbolo da tolerância religiosa - no Kremilin, a mesquita divide espaço com a igreja ortodoxa russa.

Ao treinador que deixa a Copa de forma mais honrosa do que os 7 a 1 de 2014, Lênin e Leon Tolstói são inspiração no horizonte de Kazan. Os dois ícones da Rússia foram rejeitados no município a quase 900 km de Moscou. O líder comunista e o escritor de "Guerra e Paz" estudaram na aclamada Universidade de Kazan. O revolucionário foi expulso após meses de ingresso, na categoria de estudante de direito. As leis eram objeto de estudo de Tolstói, além das línguas orientais. O recluso novelista, por sua vez, abandonou os cursos e era descrito como desleixado pelos professores.

O desleixo de Tite talvez estivesse em convicções, como a insistente permanência de Gabriel Jesus e Paulinho como titulares - principalmente com Roberto Firmino no banco -, além do esfarelamento físico de importantes peças. Douglas Costa roubaria a vaga de Willian, Marcelo ontem jogou baleado.

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