'Braziliya na 'Roosiya': o que o Brasil leva e traz da Rússia nesta Copa do Mundo de 2018

Direto da Rússia / 16/07/2018 - 06h30

MOSCOU – Quando Nazaré Tedesco empurrou Zé Carlos escada abaixo, a Rússia se arrepiou. O suicídio de uma das mais emblemáticas vilãs de novelas brasileiras também foi acompanhado em milhares de lares no país da Copa. De novelas à música, o Brasil bate forte seu tambor entre os soviéticos. Neste encerrado Mundial 2018, só reforçou a ligação.

Neste domingo (15), no Luzhniki Stadium, eram vários os torcedores de verde e amarelo tentando concorrer, aos cânticos, com os finalistas franceses e croatas. De vez em quando, um grito ou outro de “mil gols, mil gols, só Pelé”. Inclusive, o grito de “Rússia” no idioma local tem som bastante parecido com o grito de “Brasil” na língua cirílica: “Rossiya” e “Braziliya”.

O Brasil se simpatizou com a Croácia, e torceu por ela na decisão. Nova frustração. Porém, os torcedores tupiniquins sairão com uma palavra só do país do futebol neste ano: “Spasibo” (obrigado), graças ao carinho natural que os russos tendem a ter com os brasileiros, pelo lado festivo de uma cultura bem distinta. Mesmo diante de problemas similares - corrupção, emprego, pobreza -, a Copa de 2018 foi um novo Carnaval de 30 dias após o de 2014.

Ainda que houvessem cenas lamentáveis como o assédio no começo da Copa, e ainda na final com gritos em português que beiravam o preconceito (“vamos comer cachorro”, por exemplo, quando um grupo de asiáticos pediu foto com brasileiros antes de a bola rolar), o saldo é positivo. Um ex-apresentador de TV do Brasil - Tomar Savoia - virou celebridade na Rússia e busca até passaporte para ficar no país.

Por outro lado, ainda há um lado obscuro no que o Brasil representa para os russos. Alguns torcedores se equivocam ao achar que o espanhol é nossa língua natal. Outros não se atualizaram no lado político.

Se Vladimir Putin é um líder de Estado de reconhecimento mundial, moscovitas tropeçam ao mencionar Dilma Rousseff como ainda líder da nação brasileira. Sequer ouviram falar de Michel Temer, mesmo que o atual comandante federal tenha virado matrioska.

A bagunça política do Brasil se reflete diretamente em questões sociais. A insegurança é algo abordado pelos russos quando são perguntados sobre o que conhecem da terra que tem metade do território, mas 50 milhões de habitantes a mais. Uma torcedora russa, por exemplo, observa que sair de casa às 20h pode ser bastante perigoso. Entre um (nem tanto) exagero ou outro, novelas, músicas e futebol conduzem o Brasil à Rússia. “Senhora do Destino” fez estrondoso sucesso; “Avenida Brasil” nem tanto.

Quem passa desconhecido mesmo é Belo Horizonte, enquanto Rio de Janeiro e São Paulo são bem conhecidos. BH, para ser apresentada, precisa vir com o cartão de visitas “a cidade onde a Alemanha ganhou do Brasil por 7 a 1” para ser referida aos gringos.

Torcedor russo cercado por brasileiros antes da final entre França e Croácia no último domingo (15)

FUTEBOL

As referências do futebol brasileiro para os russos passam necessariamente sobre um nome: Ronaldo. Podendo ser o Fenômeno, mas na maioria das vezes é o gaúcho que arranca o sorriso. Não à toa ele apareceu por segundos na cerimônia da festa de encerramento da Copa e foi aplaudido mais do que o ator Will Smith.

Além disso, a Rússia foi um mercado farto de jogadores brasileiros, para o bem e para o mal, que deixaram as respectivas impressões de um público fanático como a torcida do Spartak, do CSKA e do Zenit.

Em conversa com um torcedor do Spartak, há críticas para o jovem Pedro Rocha que foi pretendido pelo Cruzeiro, e também para o ex-atleticano Rafael Carioca: "Ele é brasileiro? Nunca está sorrindo", disse um spartano. Quem deixou ótimas impressões para este fã foi o ex-meia-atacante Alex, com passagem pelo Internacional e Corinthians. Agora, é o volante Fernando que vai ganhando moral com a torcida.

O grande questionamento ouvido é porque os brasileiros que vão pra Rússia fazem menos sucesso, ou desempenham um futebol inferior às joias tupiniquins contratados na vizinha Ucrânia, principalmente no Shakhtar Donetsk.

Pelo CSKA e pelo Zenit, dois brasileiros "moram de pantufas" no coração das respectivas torcidas: Vágner Love, heroi da Liga Europa de 2005, e Hulk, artilheiro do russo pelo Zenit.

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