Cabelos enjaulados: Carlos Valderrama 'despercebido' num Shopping de Moscou

Direto da Rússia / 05/07/2018 - 06h08

O trio de torcedores da Colômbia caminhava distraidamente pelo terceiro andar do luxuoso Gum Shopping, na lateral da Praça Vermelha de Moscou. Seduzidos pelas portas das maiores grifes mundiais, não perceberam que a metros dali estava um mito nacional. A touca foi a estratégia cirúrgica.

Carlos "El Pibe" Valderrama deixava os cabelos loiros e crespos - marca registrada - presos pelo acessório vermelho cheio de brasões. Ao lado da esposa, descansava no centro comercial mais luxuoso da capital russa olhando atravessado para uma vitrine onde dois manequins vestiam biquínis. Sem o black power à mostra, era fácil passar despercebido entre os turistas, russos e até mesmo colombianos.

Ídolo do futebol dos 'Cafeteros', o ex-meia-atacante completará 57 anos em setembro. O tempo passa rápido e suas marcas na Seleção Colombiana já foram igualadas por outra geração. Camisa 10 do time que Pelé apontou como "favoritaça" da Copa do Mundo de 1994, Valderrama encerraria a carreira no selecionável justamente 20 anos atrás, num confronto contra a Inglaterra.

A troca de camisas com o promissor David Beckham, hoje garoto-propaganda da indústria da moda que domina o Gum Shopping, ficou marcada na história. Era a última dos três Mundiais disputados pelo país. Em 2018, a comemoração com o igualmente aclamado ex-goleiro René Higuita, após a vitória diante da Polônia - um baile de 3 a 0 -, também ficou registrada para a posteridade. O time da Rainha, porém, voltou a ser a pedra no sapato.

"Assim é o futebol. Só pode ganhar um. Foi por um poquito", disse rapidamente o icônico jogador sul-americano, sem clima para entrevistas, apesar da feição bem humorada. 

Jaqueta colorida, brinco na orelha, pulseiras entrelaçadas no braço, colares amontoados no pescoço. Valderrama mantém a mesma imagem de "pirata". Faltou só soltar o rebelde cabelo tingido de amarelo, colocar a braçadeira no bíceps, vestir a camisa amarela, azul e vermelha e tentar levar à Colômbia além das quartas de final atingida em 2014 (recorde do país). 

Já sáo 57 anos, 20 anos sem jogar pelo time nacional, há 14 com as chuteiras formalmente penduradas. O jeito é voltar para casa, retornar ao comando do time juvenil Atlantic City e adiar a promessa de cortar o cabelo simbólico para 2022, no Catar, caso a Colômbia toque na Taça Fifa finalmente.

Carlos Valderrama com a esposa na Praça Vermelha, antes do 'rolezinho' no Gum Shopping
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