Das águas ao espaço e um metrô belo-horizontino: a Samara de Brasil x México

Direto da Rússia / 03/07/2018 - 07h43

A Arena Samara em formato de disco voador estava ao longe. O calor que emanava do asfalto interminável criava a ilusão de imagem trêmula nos longos 1,500 metros de perímetro isolado da Fifa. A caminhada que parecia uma viagem espacial de tão interminável é suportada por copos d’água distribuídos por voluntários. Na cidade em que foguetes foram construídos para o homem conhecer as estrelas, o calor de 35º aqueceu o Brasil na Copa do Mundo de 2018.

Muito além de ser conhecida como a terra dos cosmonautas, a Samara no qual a Seleção Brasileira derrotou o México, ontem, carrega quase 600 anos de história e reverência à dois espaços de tamanho não encontrado em outro lugar da Europa. Por outro lado, a metrópole de 1,2 milhão de habitantes ainda venera o saudoso Lada, veículo baseado no Fiat 127 da União Soviética.

Uma cidade que projetou a espaçonave de Yuri Gagarin – primeiro homem a visitar a terra por fora –, e foi planificada para proteger Josep Stalin e o alto clã do Partidão na tentativa de domínio nazista parece ter parado no tempo diante da vizinha Moscou. Vizinha de longe, com mil quilômetros de distância. Nada comparado com os 3,7 mil km do Rio Volga, o mais extenso do Velho Continente.

Palco da principal batalha da Segunda Guerra, na cidade de Volgogrado (antigamente Stalingrado), o Volga abraça Samara e a transforma numa cidade quase “praiana”. No calor infernal do verão russo, parece o Rio de Janeiro. Ou melhor, uma Belo Horizonte a qualquer época do ano. Com a capital mineira, outra similaridade. Se Moscou se orgulha de esconder um palácio debaixo da terra com o transporte metroviário em 12 linhas e 200 estações, Samara tem uma pobre e tortuosa coluna vertebral. Do Eldorado ao Vilarinho. Da Alabinskaya a Yungorodok. 10 estações, num circuito central da cidade.

Bem longe da Arena Samara, mas colocado à Praça Kuybyshev, a maior de toda a Europa com 15 hectares de área. Ou seja, daria para colocar cada uma da 12 arenas-sedes dos jogos da Copa do Mundo no local. O nome da praça foi o mesmo da cidade entre 1935 e 1991. O batismo era homenagem à Valerian Kuybyshev, ex-líder do Exército Vermelho. Quase uma Curral del Rei soviética, mas que lançou aos ares foguetes e naves para explorar a via láctea, ao contrário de BH, na qual viadutos chegam do céu para a terra.

PS: Não tive tempo de rodar na cidade, pois a Arena é bem distante. Tirei fotos do estádio e também desses painéis com Yashin e Garrincha. Uma ideia é fazer uma montagem com três fotos para ilustrar a coluna - Yashin, Garrincha e com esse soviético militar no meio. Ele é  Sergei Korolev, era o chefão do programa espacial da URSS, virou ídolo em Samara.

Arena Samara escaldante: Brasil venceu o México por 2 a 0 na terra dos foguetes

Arena Samara sob chamas do calor de 35º pouco antes do duelo entre Brasil e México na Copa de 2018

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Comentários